
Os jovens sempre foram parte importante nas lutas e derrubes de regimes ditatoriais, tanto em países instituídos, como nos que estavam ou estão sob ocupação estrangeira, inclusive colonialista, que têm formas de o exercer.
Exemplos de quaisquer daquelas situações não faltam, situemo-nos, contudo, nos mais recentes, embora a alguns eventuais leitores, pela idade, possa parecer “coisas de outro mundo”, o que revela, desconhecimentos deles, progenitores, professores e dos próprios sistemas de ensino, com reflexos evidentes das respectivas sociedades, mesmo daquelas tidas desenvolvidas.
Sem preocupações cronológicas, ao correr do teclado, cita-se, como exemplos marcantes, Karl Marx Marx, Hengles, Lenine, Ho Chi Minh, Fidel Castro, Che Guevara, Daniel Ortega, Mao Tse Tung.
A estes juntam-se, entre tantos, os que não participando directamente na luta armada, distinguiram-se pela eloquência da palavra, como estrategas e respeito por parte dos próprios adversários, até, inimigos, entre os quais sobressaem Jilius Niere, Tito, Mandela, Ghandi, Patrice Lumumba.
As ex-colónias portuguesas – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, têm em comum não apenas a língua potuguesa, também amizades e conivências criadas, na clandestinidade, antes do início das lutas armadas de libertação nacional que nem posteriores divergências, designadamente ideológicas, que, a certa altura ocorreram, apagaram.
Exemplos daquelas cumplicidades assentavam no bem maior que unia homens e mulheres de países, berços, tons de epiderme, até ideologias políticas diferentes: serem donos dos próprios destinos, sem garrotes a sufocá-los, nem, acima de tudo, aos povos a que pertenciam.
Por isso, desprenderam-se de tudo, separaram-se das famílias, da Terra Mãe, do conforto pequeno burguês. Uns aderiram à luta armada, nem todos entre eles, chegaram, porém, a ver os hasteares das respectivas Bandeiras nacionais, ouviram os Hinos.
Alguns morreram em combate contra inimigos, outrossim em lutas fratricidas fomentadas por interesses divisionistas. Não poucos às portas das Independências.
A lista dos nomes de todos aqueles heróis desconhecidos é tarefa impossível de concretizar no espaço de uma crónica, sequer chegavam as páginas de todos os jornais e revistas do Mundo.
A estes havia a juntar quantos, nas clandestinidades internas, lutaram por iguais objectivos dos que extra-fronteiras perseguiam os mesmos sonhos de liberdade.
Há quem considere esses tempos como de utopias, mas o que teriam sido eles sem elas, águas cristalinas de encherem mares e rios transbordantes de esperanças sucessivamente renovadas contrapontos de eventuais esmorecimentos…
Naqueles tempos de quimeras também havia diques a tentarem impedi-las de despertarem mentes adormecidas à espera de serem despertadas para entenderem causas de sofrimentos que lhes afectavam o quotidiano em lavras, fábricas, escolas.
Como se discriminação fosse algo natural destinado a maiorias e o inverso às elites. Pelo meio há e havia os inefáveis cata-ventos à espera de perceberem o lado para o qual lhes convinha cair. Conhecidos por “papagaios”, ultimamente, em Angola, designados por “bajus”.
Angola, por causas tantas, entre elas, ser o maior em termos territoriais e potencialmente mais rico, foi o penúltimo país das ex-colónias portuguesas que proclamou a Independência Nacional – o primeiro, a Guiné-Bissau e o último, Timor-Leste – , embora em guerras sucessivas ditadas por interesses estrangeiros que se renderam à força da razão, quando espatifou o mito da razão da força sul-africana, assente no apartheid, cujo exército, tido como o mais bem apetrechado e preparado do nosso Continente, foi derrotado pelas nossas Forças Armadas, na Batalha do Cuito Cuanavale.
Aquele facto foi propalado pela comunicação social de todo o Mundo, designadamente da e pró ocidental, habitualmente difusora de falsidades a respeito de Angola, não apenas martelando na tecla antiga, que se mantém, em tom maior, sobre sermos um país rico, ofuscando, por ignorância e má-fé, a realidade de um país obrigado a anunciar, de armas nas mãos, “a África e ao Mundo” a Independência sem a presença do antigo ocupante que se pôs ao fresco horas antes, como quem diz “qusiseram ser livres, desenrasquem-se”.
Os desígnios do nosso primeiro Presidente estavam concretizados, infelizmente já sem ele entre nós. Angola, como país soberano, continua a ser acolhedor, mesmo para quantos nos viraram as costas em momentos em que precisávamos de todos.
Porquê? Porque sempre fomos poucos para tantas necessidades que sentíamos e continuamos a sentir. Parte delas, porventura, por termos baixado a guarda em ocasiões que nos deixámos levar pela euforia de vitórias.
Xenofobia, racismo, nepotismo, oportunismo, bajulação, sustentáculos das fragilidades de quaisquer sociedades, principalmente, como é lógico, em países, como o nosso, nos quais as guerras, inclusive fratricidas, ocuparam parte substantiva da existência.
Entre os combatentes da liberdade contam-se mulheres e homens de todas as origens, berços, tons de epiderme, ideologias políticas, até estrangeiros, que aderiram às nossas lutas.
De armas na mão ou na divulgação das razões de querermos ser uma Pátria, que vai além do Hino, Bandeira, Bilhete de Identidade, causas importantíssimas, insuficientes, por si só, todavia insuficientes se não forem seguidas por lutas permanentes contra desigualdades de todas as espécies.
Culpar estrangeiros apenas por isso, pelas nossas fragilidades, é sofisma, tal e qual como varrer a poeira para baixo do tapete. Foi essa estratégia que “permite” a parte dos jovens desconhecer “o que custou a Liberdade” e permite-lhes “desempenhar” “funções”, salvo seja, e “cargos” idem, aspas, que deviam, devem ser ocupadas por outros.
Os primeiros são “filhos da intrujice”, sem sonhos a comandar-lhes as vidas: casa própria, carro, boa mesa, casarem, ter filhos, imitarem luxos pequeno burgueses espreitados em revistas de fofocas.
Em sentido oposto, há jovens, elas e eles, desejosos de oportunidades para aprenderem o que custa a vida, experimentarem subir por ela a pulso. É deles de que Angola precisa como de pão para a boca. De enfatuados está a Pátria cheia.
*Jornalista