Adolescente de 16 anos morto a tiro por segurança de comissário-chefe da Polícia
Adolescente de 16 anos morto a tiro por segurança de comissário-chefe da Polícia
Sic recolhe cadáver

William Emilson Tomás Kiala, um adolescente de 16 anos, foi morto a tiro na noite de 22 de Julho, por um segurança da empresa Vissapa, que pertence ao comissário-chefe da Polícia Nacional, Ernesto Victor Inaculo.

O incidente ocorreu na vila mineira de Cafunfo, município do Cuango, província da Lunda Norte, onde a empresa presta serviços de segurança a estabelecimentos comerciais de um cidadão eritreu.

Segundo testemunhas, a tragédia ocorreu devido a um desentendimento entre a vítima e o segurança da Vissapa, num local popular entre os jovens. Alegadamente, o segurança disparou contra William, atingindo-o nas pernas. A vítima sangrou por mais de uma hora antes de ser levada ao Hospital Regional de Cafunfo, onde faleceu pouco depois.

Este não é o primeiro incidente violento envolvendo a Vissapa. Em Janeiro deste ano, outro agente da mesma empresa matou um cidadão nacional no mesmo local. Alegações de tentativa de roubo não resultaram em quaisquer responsabilizações criminais para os seguranças envolvidos.

A morte de William desencadeou uma onda de revolta. No dia do funeral, a 24 de Julho, familiares e amigos vandalizaram estabelecimentos comerciais e bloquearam ruas, obrigando a intervenção da Polícia Nacional, que disparou para dispersar a multidão.

Activistas e defensores dos direitos humanos apelaram ao Presidente da República, João Lourenço, para que intervenha e assegure que os órgãos de defesa e segurança do Estado, bem como as empresas privadas de segurança e mineração, respeitem a vida humana. Reiteraram que a vida humana é o bem mais precioso e deve ser protegida acima de tudo.

Os habitantes de Cafunfo denunciam uma cultura de impunidade e abuso de poder na região, onde são comuns torturas e assassinatos de civis por agentes de segurança privada e autoridades oficiais. A Vissapa, em particular, está envolvida em várias acusações de abusos e violações dos direitos humanos.

Após o incidente, a direcção da Vissapa ofereceu 300 mil kwanzas à família da vítima para cobrir os custos do funeral. No entanto, a população local e os defensores dos direitos humanos continuam a exigir justiça e responsabilização dos autores destes crimes, condenando a perpetuação da violência e dos abusos na região das minas de diamantes.

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