A evolução das relações sino-africanas e os desafios do século XXI – Osvaldo Mboco
A evolução das relações sino-africanas e os desafios do século XXI - Osvaldo Mboco
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A Cimeira FOCAC 2024, que se realizará de 4 a 6 de Setembro em Beijing, promete ser um marco importante nas relações sino-africanas. Este fórum, que já demonstrou ser um pilar da cooperação Sul-Sul, reúne líderes de toda a África e da República Popular da China (RPC) para fortalecer laços, discutir desafios e explorar novas oportunidades de cooperação.

A relação entre a China e a África é uma história rica e antiga, que transcende séculos de intercâmbio cultural e cooperação mútuas.

Desde o século VIII, há registos históricos de contactos e trocas entre a China e os povos africanos. Estes laços históricos formaram as bases para uma relação que, no século XX, se consolidaria de maneira significativa.

Nos primeiros 30 anos, após a fundação da RPC, em 1949, a China estabeleceu laços diplomáticos com inúmeros países africanos, começando com o Egipto em 1956. Até 1980, a China já havia estabelecido relações diplomáticas com 45 países africanos.

Este período coincidiu com o momento em que muitos países africanos lutavam por sua independência contra as potências coloniais. A China apoiou essas lutas pela independência, cooperou com os países africanos para desenvolver as suas economias e a consolidar as suas soberanias.

A partir de 1978, com o início das reformas e da abertura económica na China, o país passou a ajustar a sua política relativamente à África, ampliando o seu enfoque de uma interação predominantemente política para um modelo de cooperação baseada tanto em laços políticos quanto económicos. Este marco abriu uma nova era de cooperação económica sino-africana.

Para fortalecer ainda mais a relação e a cooperação entre a China e os países africanos no novo cenário internacional, e para enfrentar os desafios da globalização económica em conjunto, o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) foi oficialmente estabelecido na reunião ministerial de Beijing, realizada de 10 a 12 de Outubro de 2000. Desde então, a cooperação sino-africana experimentou um crescimento exponencial, especialmente no comércio e nos investimentos.

Com o impulso do FOCAC, China tem sido o maior parceiro comercial da África por 15 anos consecutivos e, em 2023, o comércio China-África atingiu o pico histórico de 282,1 mil milhões de dólares.

A China também é o maior país em desenvolvimento a investir em África, com o estoque de investimentos diretos na África ultrapassando 40 mil milhões de dólares até o final de 2022.

Mais de 3 mil empresas chinesas investiram em África, criando inúmeras oportunidades de emprego local, promovendo o desenvolvimento e a transformação da cadeia produtiva da África, aumentando o valor agregado dos produtos africanos.

A filosofia de “sinceridade, resultados reais, afinidade e boa-fé”, com a visão correcta de amizade e interesses, constitui a base da política chinesa para a África. Esta visão, introduzida pelo Presidente Xi Jinping durante a sua primeira visita à África em 2013, reflecte duas dimensões fundamentais.

Primeiro, a dimensão da “amizade”, que se baseia nos ideais socialistas e nos valores do Partido Comunista da China. A China acredita que é inaceitável que apenas uma parte do mundo prospere enquanto outra parte enfrente dificuldades.

Com isso em mente, a China sempre defendeu o desenvolvimento global, com um foco especial em apoiar os países africanos. Um exemplo claro disso foi o apoio chinês às lutas de libertação nacional na África durante as décadas de 1950 e 1960, mesmo em tempos de grande dificuldade interna na China.

Em segundo lugar, a dimensão do “interesse” está enraizada no princípio do benefício mútuo. A China defende que a cooperação deve ser vantajosa para ambas as partes, um conceito que Xi Jinping resumiu ao afirmar que o maior compromisso da China com a África é utilizar o seu próprio desenvolvimento para impulsionar o desenvolvimento africano, buscando, assim, alcançar uma verdadeira parceria de benefício mútuo e crescimento compartilhado.

É importante anotar que esta cooperação se constituiu um motor importante para o desenvolvimento da maioria dos Estados africano, se fundamentarmos a nossa observação nos dados contido no livro branco, “China e África na Nova Era: Uma Parceria de Iguais”, empresas chinesas ajudaram países africanos a construir ou modernizar mais de 10.000 km de ferrovias, quase 100.000km de rodovias, aproximadamente 1.000 pontes, quase 100 portos e 66.000 km de transmissão e distribuição de energia ao longo do último quarto de século.

*Professor de Relações Internacionais e mestre em Gestão e Governação Pública, na especialidade de Políticas Públicas

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