
Os efectivos da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) da Polícia Nacional procederam, esta terça-feira, 24, à detenção de Virgílio Cordeiro João, membro do Comité Central do MPLA e secretário do Departamento de Informação e Propaganda no Uíge, acusado de vários crimes, incluindo sequestro, posse ilegal de arma de fogo, espancamentos, associação criminosa e ofensas corporais graves.
Segundo informações disponíveis, os factos terão ocorrido no domingo e na segunda-feira, na aldeia Dambi Angola, município de Dange Quitexe, província do Uíge, onde o dirigente político é acusado de protagonizar actos violentos no âmbito de um alegado conflito de terras.
De acordo com fontes do Imparcial Press, o caso terá tido origem após a aquisição de uma fazenda, alegadamente sem o conhecimento das autoridades tradicionais e administrativas. Posteriormente, o acusado terá expandido os limites da propriedade para áreas vizinhas, o que gerou contestação por parte de moradores.
A situação terá escalado quando um dos supostos proprietários das terras em disputa foi acusado de destruir culturas agrícolas implantadas no local.
Em resposta, Virgílio Cordeiro João, de 38 anos, apontado como o principal mandante das agressões, mobilizou um grupo de indivíduos igualmente detidos, nomeadamente Honório Coxi Muanga (30 anos), Luís Lopes (21 anos), Ramário Fernandes (33 anos) e Paulo António Casemiro (38 anos), para se deslocar à aldeia com o objectivo de capturar o cidadão, que inicialmente acabou por fugir.
Testemunhas relatam que, durante o incidente, foram efectuados disparos que causaram pânico entre os habitantes, levando à dispersão da população.
Horas mais tarde, o grupo terá regressado à localidade, onde efectuaram novos disparos, além de raptar e agredir vários cidadãos, entre os quais Francisco Bernardo José, conhecido por “De Momento”, de 26 anos, e Justino Bernardo, conhecido por “Vida”, de 37 anos.
As vítimas foram surpreendidas nos arredores da aldeia e, segundo o relatório da Polícia Nacional, submetidas a agressões violentas com recurso a duas armas brancas do tipo catana, que já foram apreendidas pelas autoridades. Os agressores terão ainda amarrado as vítimas pelo pescoço, provocando-lhes perda de consciência.
Após o espancamento, os dois cidadãos foram socorridos e internados em estado grave no hospital municipal de Dange Quitexe, onde recebem assistência médica. O estado de saúde das vítimas, que apresentam ferimentos graves resultantes das agressões, inspira cuidados.
As autoridades confirmaram a detenção do dirigente, que deverá ser presente às instâncias judiciais para os devidos procedimentos legais. O caso está a ser investigado pela DIIP.
Entretanto, o episódio tem gerado forte preocupação entre as comunidades locais e levanta questões sobre o uso de influência política em conflitos fundiários, bem como sobre a segurança das populações em zonas rurais.