Angola e Namíbia avançam com o projecto ferroviário ‘Trans-Cunene’ avaliado em 700 milhões de dólares
Angola e Namíbia avançam com o projecto ferroviário 'Trans-Cunene' avaliado em 700 milhões de dólares
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A ligação ferroviária entre Angola e a Namíbia, denominada ‘Trans-Cunene’, está prestes a avançar, num projecto avaliado em 700 milhões de dólares, desenvolvido pela empresa namibiana Global Business Development (GBD).

O projecto, que visa fortalecer a conectividade regional através dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes (CFM), foi apresentado recentemente ao governo provincial do Namibe, destacando-se pelo seu potencial transformador na economia da região.

De acordo com o comunicado emitido pelo governo provincial do Namibe, o projecto prevê a construção de um novo troço ferroviário com 400 quilómetros de extensão, ligando Lubango ao Cunene, além da requalificação da actual linha entre Lubango e Moçâmedes.

As obras têm uma duração estimada de 15 meses e, uma vez concluídas, irão facilitar o transporte de mercadorias entre os dois países, com especial enfoque no Porto do Namibe, que servirá como ponto de escoamento das cargas.

Harold Luttichau, representante da GBD, sublinhou a importância estratégica do ‘Trans-Cunene’ para a região austral de África, afirmando que o projecto beneficiará não só Angola e Namíbia, mas também outros quatro países da região.

“Este projecto vai gerar benefícios consideráveis para a conectividade regional. As mercadorias transportadas pela nova linha ferroviária irão convergir no Porto do Namibe, reforçando o seu papel como um centro logístico de grande relevância”, destacou.

Para além do impacto económico, o projecto promete impulsionar a criação de emprego, com prioridade para as comunidades locais ao longo do traçado ferroviário.

O governo provincial do Namibe reiterou que a iniciativa vai dinamizar o volume de negócios do Porto do Namibe, fortalecer o corredor económico do sul do país e promover o desenvolvimento da actividade industrial e comercial na região.

Francisco Mário, delegado dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes, destacou a relevância do projecto no contexto da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sublinhando que o ‘Trans-Cunene’ é uma peça fundamental para a integração regional e o aumento da competitividade do corredor logístico que liga o sul de Angola ao resto da África Austral.

Por sua vez, Domingos Delfim, administrador executivo do Porto do Namibe, indicou que o projecto está alinhado com o plano de reabilitação da Baía de Moçâmedes, cuja conclusão está prevista para Novembro de 2025.

Com esta expansão, Delfim prevê uma triplicação do volume de carga movimentada no Porto do Namibe, o que consolidará a sua posição estratégica no comércio internacional da região.

Este projecto ferroviário, além de melhorar a mobilidade e as infraestruturas de transporte entre Angola e a Namíbia, é visto como um catalisador para o desenvolvimento económico da região, com impacto directo na criação de uma cadeia de valor no sector dos transportes e na empregabilidade local.

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