
E lá estava eu em Luanda a assistir o mestre Augusto Chakaya fazer um Showzaço, acompanhado pelo agrupamento de suporte “Os Jovens do Prenda”. Não me lembro de ter assistido antes, qualquer outra apresentação que fosse, com tanto colorido e ritmos.
Foi com ele que compreendi na prática de onde veio o samba, swing e o nosso carnaval. Que festa. Simplesmente espetacular. Vestido sempre a rigor com seus trajes coloridos e indumentária sempre impecável, ele estava de fato (paletó) chapéu e sapatos vermelhos. Literalmente cantou e encantou. Até o fim.
Não chegamos a conversar, queria lhe dizer umas palavras, mas a concorrência estava grande. Preferi deixar que outros mais próximos aproveitassem aquele amigo de todos.
Ele foi a última apresentação do segundo dia da 2ª edição do Festival das Bandas, organizado pela Prova D’art no badalado Miramar. Além dele, Banda Maravilha, Jovens do Prenda, Os Kiezos, N’guami Maka, Dizu Dietu, completaram a programação.
Agora é esperar o kota Paulo Flores, assim como faz com os outros mestres que se vão, homenagear esse mestre do Semba, que agora fica muito mais pobre, sem o seu “estado maior” Chakaya. Um dos mestres guardiões do Kimbundo clássico, assim como Elias Diá Kymuezo e Felipe Mukenga.
Nasceu em 1951, teve 16 filhos, e morreu com 73 anos. Filho do Bembe na província do Uíge, o autor de “Kamba Dyami” estava na ativa desde 1966.
Cheguei a tempo e tive o privilégio de vê-lo brilhar no palco, penso que talvez a última apresentação. E hoje, pouco mais de 100 dias depois, soube que ele partiu para eternidade. Assisti a sua última apresentação no dia 19 de maio.