O lado negro e oculto da democracia intra-partidária – Carlos Joaquim
O lado negro e oculto da democracia intra-partidária - Carlos Joaquim
BP Mpla1

“Tal como uma moeda tem duas faces (cara e coroa), a democracia também as tem (maior possibilidade de escolha, por um lado e, por outro lado, maior risco de o poder cair em mãos erradas). Pouco ou nada se fala sobre o lado negro e oculto da democracia.”

As presunções ou intenções manifestas de múltiplas candidaturas para a liderança do MPLA, são aparentemente positivas, (se olharmos para o espectro alargado da possibilidade de escolhas), mas também podem ser negativas (desastrosas), se tivermos em conta os riscos de escolha associados à pessoas de má índole política e social – pessoas que em nome da colectividade ou do interesse público, pretendem satisfazer seu interesse pessoal ou de certos grupos de interesses dentro e fora do partido.

Qual é o lado negro e oculto da democracia intra-partidária?

Segundo (Katz, 2001: 299-320), em democracia intra-partidária os factores que causam instabilidade e fragmentação são:

Conflito de interesses: a diversidade de opiniões e de interesses dentro dentro do partido, pode levar à disputas internas, dificultando a unidade e coesão;

Polarização interna: a democracia interna pode intensificar divisões entre facções, resultando em maior polarização e dificultando a colaboração;

Vulnerabilidade a grupos externos: partidos com estruturas democráticas internas, podem ser mais susceptíveis à influências externas, como lobbies e pressões políticas, que podem distorcer a agenda partidária;

Foco em conflitos internos: ênfase na democracia interna pode desviar a atenção dos membros dos objectivos e desafios externos, como a consciência eleitoral.

O MPLA é sim e continua sendo a mais importante instituição social e política da sociedade angolana, logo, tem razões e obrigações políticas de elevada responsabilidade, não podendo dar-se ao “pitoresco luxo” de uma democracia interna alargada e de forma imponderada – arriscando múltiplas candidaturas à sua liderança, mesmo sabendo a partida que tal liderança poderá cair em mãos erradas – caso não se tenha em conta os pressupostos basilares de costume, para quem se propuser a ser presidente de um partido histórico com a dimensão e responsabilidade política do MPLA (capital político; capital social; capital académico-intelectual; capital ético-moral, patriotismo e comprometimento com o interesse público).

Não basta a popularidade dos candidatos à presidência de um partido político ou Presidência da República – precisamos olhar para a sua folha de serviço, a sua conduta pessoal (enquanto servidor público e na sociedade), entre outros pressupostos já referenciados. Um dos riscos da democracia, é a possibilidade de colocar pessoas como Volodymyr Zelensky na Presidência da Ucrânia (por ser um humorista muito popular) e, no nosso caso em particular – caso concorresse num processo eleitoral (para presidência de um partido político ou Presidência da República), o Estado-Maior do Kuduro “Nagrelha”, poderia ter chegado à presidência, devido a sua expressiva popularidade entre os angolanos (esses são os ricos da democracia), para sermos mais claros!

A pesar do que se cogita nos bastidores e à “boca pequena”, o MPLA continua política e ideologicamente incólume – mantém a união e coesão intra-partidária.

Queremos aqui e agora, fazer um veemente apelo aos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA, a manterem-se firmes e, que não se deixem manipular por “analistas políticos” que agem de má fé e a soldo daqueles que querem desestabilizar o MPLA.

Aos militantes, quadros e dirigentes do MPLA, apelamos o respeito escrupuloso ao Código de Ética Partidária – respeitem os órgãos, os organismos e as organizações sociais do MPLA.

Pois, qualquer um que vir a ser Presidente do MPLA, vai igualmente precisar que se respeitem os Estatutos, os regulamentos e demais documentos orientadores do MPLA (destacando o Código de Ética Partidária).

Toda organização política ou não, que caminha a margem da disciplina, ética, união e coesão, está condenada ao fracasso (não é isso que se quer no MPLA), no qual os egos descontrolados podem arruinar toda sua trajectória de lutas, vitórias e conquistas.

Só pode ser mesmo heresia política ou paranoias que só cabem na cabeça de Rui Nkandove – admitir que, metade dos simpatizantes do MPLA possam votar na UNITA! Isso não é análise política reflexiva, talvez seja percepção instintiva ou instituição desequilibrada de Rui Kandove – o que é deplorável para um analista político que, não faz mais se não, atacar e denegrir alguns quadros e dirigentes do MPLA (política e tecnicamente competentes), e enaltecer outros que quiçá precisam dos seus servicinhos, para que sejam notados.

Há camaradas do e no MPLA que não precisam dos “serviços de vassalagem política” (gratuita ou remunerada) de Rui Kandove, para serem reconhecidos nas hostes do partido.

A direcção central do MPLA conhece bem os quadros e dirigentes de tem – não precisa de sugestões de alguém que não esteja comprometido com o MPLA e, que age a soldo para influenciar nos processos de tomada de decisões dentro do MPLA.

Portanto, o MPLA é um partido político pela democracia representativa e participativa, sem descurar a democracia interna, mas condena a anarquia política nas suas hostes.

Há regras e pressupostos a serem cumpridos para se chegar à Presidência do MPLA – a anarquia política não justifica a democracia intra-partidária que se alega – devem ser respeitados o Estatutos, o órgão Presidente do MPLA, os organismos, os regulamentos e demais documentos orientadores do MPLA.

Que as múltiplas candidaturas à Presidência do MPLA (a seu tempo), não sejam uma imposição política de grupos de interesses restritos, a margem dos Estatutos, do órgão Presidente do MPLA, dos organismos do MPLA, dos regulamentos e demais documentos orientadores do Partido.

*Doutorando em Ciências Sociais na Especialidade de Ciência Política; Mestre em Ciência Política e Administração Pública; Pós-graduado em Políticas Públicas e Governação Local; Pós-graduado em Administração Autárquica; Pós-graduado em Direitos Humanos e Cidadania, e Docente universitário)

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