
O comunicado desta tarde da Casa Branca, emitido por Karine Jean-Pierre, Secretária de Imprensa, confirmou o adiamento da viagem do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Angola, devido à urgência de responder aos impactos do Furacão Milton e da contínua recuperação após o Furacão Helene, que devastaram certa parte do sudeste dos Estados Unidos.
Este adiamento da visita coloca uma importante questão no ar: Angola ainda pode aguardar por Biden? Para respondermos a essa pergunta, precisamos analisar cinco factores essenciais, tais como:
1 – O contexto da visita adiada
A visita do Presidente Biden a Angola representaria um marco histórico importante nas relações entre os dois países, sobretudo no que se refere a parcerias estratégicas em áreas como o corredor do Lobito, investimentos e cooperação energética.
Angola tem se esforçado política e economicamente para o melhor, e uma visita presidencial dos EUA indicaria um forte sinal de apreço e apoio a esse esforço.
No entanto, a visita foi adiada para que Biden possa concentrar-se nas respostas necessárias após a devastação causada pelos furacões, o que levanta dúvidas sobre quando ou se essa visita ainda ocorrerá.
2 – A proximidade das eleições americanas
Com a eleição presidencial dos EUA marcada para o próximo mês de novembro, o cenário político americano estará cada vez mais tenso. Embora Joe Biden não esteja mais a concorrer à reeleição, ele, seguramente, terá um papel activo e determinante no apoio à candidatura da sua Vice-Presidente, Kamala Harris, que busca a victória para manter o Partido Democrata na Casa Branca.
Neste período, é apenas razoável supormos que a atenção do Presidente Biden volte-se para a política interna americana, participando dos eventos de campanha, debates e oferecer apoio activo à candidata do seu partido, que por sinal, é sua Vice-Presidente.
Portanto, é razoável concluirmos que a agenda internacional de Biden ficará, sem dúvidas, em segundo plano até que o ciclo eleitoral esteja concluído.
Naturalmente, Joe Biden tem a obrigação de dedicar boa parte do seu tempo às questões internas eleitorais que afectem directamente a reeleição da sua vice-Presidente e, ao mesmo tempo, como Chefe de Estado, lidar com os desafios pontuais, como os desastres naturais que estão a afectar o seu país.
3 – As prioridades de Biden neste momento e a recuperação interna
Sem dúvida, a recuperação do desastre causado pelo furacão Helene e lidar com o furacão Milton tornou-se uma prioridade máxima para Biden.
Os danos já causado pelo furacão helene, tanto em termos de infraestrutura quanto de impacto económico e humano, requerem uma resposta coordenada e directa entre os governos estaduais e o titular da Casa Branca (governo federal).
Em tempos de crise, a atenção de um presidente é naturalmente desviada para lidar com essas situações, o que torna improvável que Biden se desloque para os seus compromissos internacionais neste momento difícil para América.
Sem esquecer que, com a eleição à porta, o foco estará nas questões domésticas, nas quais inclui a resposta do governo federal às as crises.
Portanto, Biden deverá se focar em garantir uma recuperação eficaz, o que poderá impactar a viabilidade de reprogramar a sua tão aguardada visita oficial a Angola antes de deixar o cargo mais poderoso do mundo em Dezembro deste ano.
4 – E depois das eleições?
A grande esperança para Angola, neste cenário, é o que acontece após as eleições. Na minha opinião, se Kamala Harris vencer a corrida presidencial, é possível que ela retome grande parte da agenda diplomática internacional que inclui Angola.
Por outro lado, Biden, no seu período de transição do poder, pode eventualmente cumprir a promessa da visita, embora isso também dependa de múltiplos factores, como a estabilidade interna dos EUA e as prioridades diplomáticas do novo governo.
Se Harris não vencer, o futuro da visita a Angola ficará ainda mais incerto. Um governo Trump, por exemplo, poderá ter uma abordagem totalmente diferente em relação às relações com Angola e ao continente africano como um todo.
5 – O que Angola pode esperar?
Angola, enquanto país em crescimento e com vasto potencial, continuará a ser uma peça chave nas estratégias de cooperação internacional dos Estados Unidos.
Mesmo que Biden não consiga realizar a visita programada, o relacionamento entre os dois países deverá continuar bem.
A parceria comercial, especialmente no sector energético, é de interesse mútuo e poderá ser fortalecida através dos outros canais diplomáticos, mesmo que a visita presidencial americana seja cancelada em definitivo.
Naturalmente, para Angola, uma visita presidencial dos EUA sempre será um momento histórico e significativo, não apenas por questões de imagem, mas também pelas oportunidades económicas e de cooperação que ela poderá trazer.
Será também um ganho político e histórico para o Presidente João Lourenço no plano doméstico. No entanto, dado o cenário actual já analisado, a paciência será mesmo necessária e recomendável.
A incerteza política eleitoral nos EUA, somada às crises internas, significa que o nosso país talvez precise esperar um pouco mais para receber o Presidente Biden ou qualquer futuro representante do governo federal americano.