Estado da Nação: Um discurso lunático – Smith Adebayo Chicoty
Estado da Nação: Um discurso lunático – Smith Adebayo Chicoty
Jlo98

Marcado por comportamentos de kuduristas [K2] do Presidente da República, que a dado momento, enquanto discursava, ameaçou os Deputados da Bancada Parlamentar da UNITA de abandonar a sala, num claro ato de iliteracia jurídica, traduzido no desconhecimento total dos dispositivos normativos constitucionais.

Enquanto Presidente da República, J. Lourenço falava não somente para o hemiciclo da Assembleia Nacional, mas sobretudo para todos os angolanos, quer estejam em território nacional ou na diáspora.

O Discurso sobre o Estado da Nação, hoje proferido pelo Presidente da República, em cumprimento do disposto no Artigo 118.º da CRA, dissipou e cristalizou as possíveis dúvidas de uns poucos angolanos que, apesar do estado lastimável em que o país se encontra devido às precárias e desastrosas políticas de governação de J. Lourenço, ainda lhe davam o benefício da dúvida. Contudo, após longas, intermináveis e entediantes horas de discurso, a esperança esvaneceu-se.

Pela quantidade elevada de dados e informações deduzidas de relatórios forjados, o pobre e penoso discurso de J. Lourenço revelou-se uma mão cheia de nada. Talvez, finalmente, os angolanos tenham percebido por que motivo, quando o Teimoso discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o mundo se retira da sala antes do início do ciclo interminável de leitura de papéis. Assim, J. Lourenço acaba sempre por discursar para intermináveis filas de cadeiras vazias, o que representa um recado das delegações internacionais: J. Lourenço deveria voltar para Angola, organizar-se e só então voltar a Nova Iorque para ser levado a sério.

Dissiparam-se todas as dúvidas. Ficou provado que, além de desprovido de literacia política mínima para tão nobre cargo, como o de Presidente da República, J. Lourenço não tem qualquer agenda para o País. A sua única agenda é a manutenção do poder a qualquer custo (no MPLA e, por extensão, no País). Desde 2017, os angolanos caminham por um túnel completamente escuro, e, em vez de verem uma luz verde ao fundo, continuam a ver mais túnel.

Os números forjados e os dados maquilhados apresentados por J. Lourenço contrastam radicalmente com a realidade quotidiana de Angola. Não é preciso grande esforço mental para perceber, por exemplo, que:

    • Enquanto J. Lourenço discursava no monumental Palácio da Assembleia Nacional, se atravessasse o muro ao lado, encontraria famílias inteiras a comer em contentores de lixo, enquanto outras, esfomeadas, faziam filas à espera de mais lixo, como se fosse um verdadeiro serviço de turno.

    J. Lourenço perdeu uma soberana oportunidade de explicar aos angolanos o que fará para travar a constante desvalorização do Kwanza face às principais moedas internacionais (Euro e USD), que tem gerado uma inflação galopante, arrastando a economia angolana e desvalorizando os míseros salários dos funcionários nacionais, além de afastar o investimento estrangeiro.

    Também perdeu a oportunidade de abordar as políticas em curso para melhorar a situação social dos angolanos, que se encontra no estado mais precário desde a independência, resultando em consequências sociais graves, como:

    • Um elevado grau de criminalidade, com jovens e menores de idade sendo abatidos em massa, durante a noite, por homens encapuzados do SIC, principalmente nas zonas periféricas de Luanda;
    • Jovens raparigas forçadas à prostituição, motivadas pela extrema fragilidade financeira dos seus progenitores, que são ou desempregados ou mal pagos pelo Executivo liderado por J. Lourenço.

    Além disso, João Lourenço falhou em esclarecer os angolanos sobre a dívida pública real: como foram usados os fundos, que impacto tiveram na vida dos cidadãos e como essas dívidas afetarão as futuras gerações.

    Era esperado que J. Lourenço se pronunciasse concretamente sobre a implementação das autarquias em Angola, uma vez que, embora o Pacote Legislativo Autárquico ainda não esteja concluído, com vontade política e orientação ao Grupo Parlamentar do MPLA, tal como aconteceu com a aprovação da Lei sobre a Nova Divisão Administrativa, as autarquias poderiam ser uma realidade.

    Por último, J. Lourenço perdeu uma oportunidade de admitir que o Presidente dos EUA, Joe Biden, já não virá numa visita oficial a Angola, tendo decidido visitar exclusivamente a Alemanha, talvez por ser um país verdadeiramente LIMPO, SEGURO e ORGANIZADO.

    *Jurista

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