INE prolonga Censo 2024 por mais 4 semanas devido a dificuldades operacionais
INE prolonga Censo 2024 por mais 4 semanas devido a dificuldades operacionais
censo24

O director-geral do Instituto Nacional de Estatística (INE), José Calengi, anunciou na sexta-feira a extensão, por mais quatro semanas, do Recenseamento Geral da População e Habitação (Censo 2024), em curso desde 19 de Setembro.

O final do processo estava inicialmente previsto para o dia 19 de Outubro, mas devido a várias dificuldades operacionais, as autoridades decidiram prolongar o prazo.

Em Luanda, por exemplo, milhares de cidadãos lamentaram, através das redes sociais, por terem sido excluídos do recenseamento. “Nunca vi sequer um recenseador na minha rua, muito menos aqui no meu bairro”, disse ao Imparcial Press um morador do bairro Bita Campo Escola.

Sentimentos semelhantes foram expressos por moradores de outros bairros, que criticaram a capacidade organizativa do INE face à situação.

“Muitos parentes meus e amigos que vivem em outros bairros também não foram recenseados. Estamos preocupados porque acreditamos que os dados a serem divulgados pelas autoridades não vão reflectir a realidade”, afirmou outro cidadão.

Durante a conferência de imprensa, realizada em Luanda, o director-geral do INE explicou que a decisão de prolongar o recenseamento resulta de uma análise cuidadosa das condições operacionais em várias regiões do país, com o objectivo de garantir que este processo crucial para o desenvolvimento nacional seja o mais abrangente possível.

O responsável sublinhou que a necessidade de ajustar o calendário de recolha de dados não é exclusiva de Angola. A título de exemplo, países como o Brasil (que prolongou o censo por mais dois meses até Dezembro de 2022), a Índia (de 45 dias para 60 dias), Gana (de 30 para 42 dias), Zâmbia (de 15 para 30 dias adicionais), Moçambique (mais 15 dias) e Nigéria (de 15 para mais 21 dias) também enfrentaram desafios semelhantes.

A realização de um recenseamento em grande escala, em contextos geográficos, sociais e económicos tão diversos, levou vários governos a estender os prazos, com o intuito de garantir que todos os cidadãos sejam devidamente contabilizados.

José Calengi admitiu que as primeiras semanas do Censo 2024 foram praticamente improdutivas, devido a constrangimentos como dificuldades dos recenseadores no manuseio dos tablets e a disponibilização incorrecta de IBANs, o que afectou os pagamentos, além de problemas de acesso a certas zonas, como comunas consideradas de difícil acesso.

Sob o lema “Juntos Contamos por Angola”, o Censo 2024 é organizado pelo Governo angolano e desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Envolve 79.423 agentes de campo, divididos entre 67.131 recenseadores e 12.092 supervisores, que garantem a execução do trabalho em todo o território nacional.

Este recenseamento visa, entre outros objectivos, conhecer a estrutura da população e disponibilizar uma base de dados concreta e actualizada para o planeamento e definição de políticas públicas e para a tomada de decisões.

O último recenseamento, realizado de 16 a 31 de Maio de 2014, apurou que Angola contava com 25.789.024 habitantes.

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