
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) e o de Migração e Estrangeiro têm novos directores. Luciano Tânio Jorge Custódio Mateus da Silva responde pelo primeiro e José Coimbra Baptista Júnior pelo segundo.
O Comandante-Em-Chefe e Titular do Poder Executivo conferiu-lhes posse na última segunda-feira. São quadros veteranos do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE).
Há muito se falava, à boca pequena, de um alegado “braço-de-ferro” entre o director do SINSE e o ministro do Interior. A ser verdade, o “ministro dos chuis” perdeu a disputa. Foi acachapantemente derrotado!
Houve quem tivesse levado às mãos à cabeça quando, em 2016, se ouviu que Eugénio Laborinho deixaria de ser o “burgomestre” de Cabinda para ocupar o cargo de ministro do Interior. Havia vozes que diziam que não tinha perfil. Outras alegavam que se estava a correr um risco grande.
Entre uma e outra, a voz que prevaleceu foi a dos factos que se seguiram logo depois à tomada de posse de Eugénio Laborinho para o cargo de ministro do Interior.
Luanda foi varrida durante 2018 a 2022 por uma vasta onda de latrocínio. O SIC começou a matar que se farta. Em hasta pública! Associou-se o nome do titular do Ministério do Interior ao tráfico de droga.
A ideia com que se ficou é a de que com a ascensão de João Lourenço ao poder, o crime organizado tinha assentado arraiais em Angola.
Eugénio Laborinho está técnica e tacitamente exonerado do cargo de ministro do Interior. Perdeu influência junto do Presidente da República. A nomeação de quadros do SINSE para órgãos tutelados pelo Ministério do Interior é prova disso.
Tal nomeação limita a autoridade e as atribuições de Eugénio Laborinho. O ministro do Interior tem, agora, rédeas curtas e ração limitada. A sua autoridade real no pelouro é diminuta. É fictícia!
João Lourenço passou-lhe um certificado de incompetência. Tivesse honra e dignidade, teria colocado o lugar à disposição. Hoje mesmo! Mas…
*Jornalista