
O director do Departamento Provincial de Logística do Comando Provincial da Polícia Nacional em Benguela, superintendente-chefe Diamantino Carlos, faleceu esta terça-feira, 05, vítima de doença, segundo informações confirmadas por fontes institucionais.
O oficial superior exercia funções logísticas no comando provincial desde Dezembro de 2020, quando foi nomeado pelo então delegado do Ministério do Interior e comandante provincial, Aristófanes Vila Cardoso dos Santos. Antes disso, destacou-se como comandante municipal da Polícia Nacional no Lobito.
A sua trajectória, contudo, não foi isenta de controvérsias. Durante o período em que liderou a corporação no Lobito, o oficial ficou associado a uma actuação considerada por críticos como excessivamente repressiva, sendo frequentemente apontado por activistas e membros da sociedade civil como responsável por detenções arbitrárias e perseguição a defensores de direitos humanos.
Relatos recorrentes davam conta de um padrão de actuação marcado por forte rigidez no controlo da ordem pública, com acusações de uso abusivo da autoridade.
Entre os episódios mais citados está a detenção de vários cidadãos acusados de desobediência e injúrias contra agentes da autoridade, num processo judicial ocorrido em 2019, que resultou na condenação de sete indivíduos pelo Tribunal da Comarca do Lobito.
Para além disso, circularam ao longo dos anos denúncias não confirmadas judicialmente envolvendo alegada apropriação indevida de bens, incluindo a ocupação de uma residência pertencente a uma cidadã no bairro da Luz, acusações que contribuíram para a imagem polémica do então comandante.
Apesar das críticas, Diamantino Carlos também é lembrado por colegas como um quadro disciplinado e com longa ligação às estruturas militares e policiais, tendo passado pelas extintas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) antes de integrar a Polícia Nacional, onde desempenhou funções de comando e formação, incluindo no Centro de Instrução de Kasseque, em Benguela.
A morte do oficial gerou reacções distintas: enquanto antigos companheiros de armas destacam o seu percurso e dedicação institucional, sectores da sociedade civil recordam um legado marcado por tensão com activistas e denúncias de abuso de poder.
Até ao momento, as autoridades não divulgaram informações detalhadas sobre as cerimónias fúnebres.