
Subiu para seis o número de mortes resultantes do naufrágio de uma embarcação de pesca ocorrido no sábado, na Ilha do Cabo, em Luanda, durante uma actividade promovida pela Igreja Católica. As autoridades continuam empenhadas em encontrar possíveis desaparecidos, ainda que com poucas esperanças de localizar sobreviventes.
O comandante provincial dos Serviços de Proteção Civil e Bombeiros, Hermínio Cazucuto, confirmou este domingo que foram encontrados mais dois corpos, de mulheres entre os 30 e 45 anos, presos às redes da embarcação.
De acordo com Hermínio Cazucuto, a embarcação, originalmente destinada à pesca, não era adequada para transportar mais de 10 pessoas. O responsável afirmou que as possibilidades de encontrar sobreviventes são agora muito reduzidas, uma vez que já foram resgatados todos os que se encontravam numa bolsa de ar no porão da embarcação.
“No entanto, as buscas continuam. Estamos a retirar as redes e a fazer inspeções detalhadas, mas ainda não declarámos o fim das operações”, disse. A embarcação foi retirada do local do acidente e levada para um espaço seguro, onde os trabalhos de busca prosseguem.
Resgatadas 17 pessoas
Até agora, 17 pessoas foram resgatadas, algumas delas pelas embarcações que estavam nas proximidades no momento do acidente. Quatro destas vítimas continuam sob observação médica, enquanto quatro outras – dois adultos e duas crianças – não resistiram aos ferimentos.
Cazucuto explicou que algumas das vítimas mortais eram familiares do mestre do barco, incluindo a mãe, filha, sogra e cunhada. O responsável sublinhou que ainda não foram registadas queixas de desaparecimento, uma vez que grande parte dos ocupantes pertencia ao mesmo núcleo familiar.
De enfatizar que o naufrágio ocorreu durante uma atividade promovida pela Igreja Católica, integrada na procissão da Paróquia de Nossa Senhora da Ilha. A embarcação sinistrada, que não estava prevista na organização, introduziu-se no cortejo marítimo e, segundo relatos, realizou manobras perigosas, causando o acidente.
O bispo auxiliar da Arquidiocese de Luanda, Dom Fernando Francisco, lamentou o incidente e apelou aos fiéis para que transformem estas ocasiões em verdadeiros momentos de fé, respeitando as normas de segurança e evitando comportamentos que possam colocar vidas em risco.
Ministro acompanha as operações
O ministro do Interior, Manuel Homem, esteve presente no local para acompanhar os trabalhos de busca. Em declarações à imprensa, elogiou o esforço conjunto das várias entidades envolvidas, incluindo a Polícia Nacional, a Marinha de Guerra Angolana, a Capitania de Luanda e o INEMA.
O governante aproveitou para apelar à população para respeitar as normas de segurança marítima, incluindo o uso obrigatório de coletes salva-vidas e a não excedência da lotação das embarcações.