
Os trabalhadores da empresa de segurança privada COPEBE, localizada na rua da Liberdade, junto ao Comité Provincial da OMA, na Vila Alice, em Luanda, denunciaram atrasos salariais e condições laborais adversas, apurou o Imparcial Press.
De acordo com os operativos, a empresa acumula cinco meses de salários em atraso e ainda deve subsídios de férias e alimentação.
Os trabalhadores, que recebem um salário mensal de 48.800 kwanzas, relatam que, além dos ordenados, a empresa não pagou subsídios de férias no valor de 21.000 kwanzas à maioria dos colaboradores. Somam-se a isto atrasos de dois a três meses no pagamento dos subsídios de alimentação, estipulados em 9.600 kwanzas mensais.
“Estamos a cumprir as nossas responsabilidades, mas muitos de nós somos obrigados a dobrar turnos e trabalhar entre 48 e 72 horas seguidas devido à ausência de colegas que, sem salários, não conseguem comparecer”, revelou ao Imparcial Press uma fonte da empresa.
A mesma fonte acrescentou que “esta situação tem um impacto enorme nas nossas vidas, levando-nos a procurar alternativas informais de rendimento nos locais de trabalho”.
A precariedade financeira obrigou alguns trabalhadores a recorrerem a actividades paralelas, como lavar e estacionar viaturas nos postos de trabalho, para garantir sustento ou cobrir despesas de transporte.
Muitos afirmam enfrentar dificuldades no pagamento de rendas, alimentação, cuidados de saúde e propinas escolares, agravadas pelos constantes atrasos salariais.
Outro ponto crítico destacado foi o sistema de gestão dos pagamentos. Parte dos trabalhadores acusa a empresa de delegar o processamento dos salários a um intermediário, conhecido como “Papá Selé”, que empresta dinheiro aos trabalhadores, cobrando juros elevados.
Para assegurar o retorno dos montantes emprestados, este [Papá Selé] retém os cartões multicaixa de vários colaboradores, restringindo o acesso aos seus próprios rendimentos.
A COPEBE presta serviços de segurança a grandes empresas e instituições, como o Finibanco, ENSA Seguros de Angola, Coca-Cola Bottling, DSTV Angola, Nestlé, Braincom, China International Fund Limited, Maersk, Cuca, Sim Chefe, Vidrul e várias embaixadas.
Contudo, os trabalhadores mostram-se cépticos em relação a uma resolução judicial. A empresa é alegadamente controlada por figuras proeminentes do regime angolano, incluindo o ex-ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, e dois generais das Forças Armadas Angolanas.
“Sabemos que a empresa tem fortes ligações políticas e militares. Isso reduz significativamente as nossas esperanças de uma resolução justa. Ainda assim, fazemos este apelo público para que as autoridades competentes intervenham e nos ajudem a superar esta situação”, apelou um trabalhador.
O Imparcial Press tentou obter esclarecimentos junto da direcção da COPEBE, mas tal não foi possível até a publicação desta peça.