Caminhos para a sustentabilidade energética em Angola – Tyilenga Mutindi
Caminhos para a sustentabilidade energética em Angola - Tyilenga Mutindi
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O actual panorama energético de Angola, exposto no relatório do Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo (IRDP), revela uma dependência estrutural preocupante em relação às importações de combustíveis.

No terceiro trimestre de 2024, o governo angolano desembolsou 662 milhões de dólares para importar 70% dos combustíveis consumidos no país, representando uma parte significativa das despesas nacionais e evidenciando a necessidade urgente de um plano estratégico para a diversificação e sustentabilidade do setor energético.

Reflexões sobre a dependência de importações

O consumo de 1,1 milhões de toneladas de combustíveis, com destaque para o gasóleo e gasolina, ainda é em grande parte suprido por importações.

Embora o Governo tenha investido em melhorar a capacidade de refinação interna, com a Refinaria de Luanda e o Topping de Cabinda, esses esforços não foram suficientes para reduzir a dependência externa.

A contribuição interna ainda é marginal, e a maior parte dos combustíveis continua a ser adquirida de fornecedores externos.

Essa dependência não só coloca pressão sobre a balança de pagamentos, como também torna o país vulnerável a flutuações nos preços internacionais do petróleo e de outros derivados.

A estratégia a seguir, portanto, deve ser focada na maximização da capacidade interna de refinação, ao mesmo tempo em que se busca reduzir os custos de importação, através de políticas de incentivo à produção local e ao desenvolvimento de tecnologias de energia alternativa.

A necessidade de investir na capacitação interna

Uma das soluções mais urgentes é o fortalecimento da infraestrutura de refinação e de produção de combustíveis no país.

O Governo de Angola deve adoptar medidas estratégicas para ampliar a capacidade das refinarias existentes, com investimentos em tecnologia de ponta e modernização das unidades de refinação.

Além disso, é fundamental que o país invista na formação de capital humano especializado no setor energético, incluindo engenheiros de petróleo, técnicos em refinação e especialistas em gestão de energia.

Deve-se, também, considerar a diversificação das fontes de energia, explorando não apenas a capacidade de refinação de petróleo, mas também recursos renováveis, como a energia solar e eólica.

Isso não só garantiria maior segurança energética, mas também alinharia Angola com as tendências globais de transição para uma matriz energética mais sustentável.

Reduzir os custos de aquisição externa

Além de aumentar a capacidade interna de produção, Angola deve adotar políticas mais eficazes para reduzir os custos de aquisição externa de combustíveis.

A negociação de acordos bilaterais com países produtores de petróleo, bem como a criação de parcerias estratégicas com empresas internacionais, pode ajudar a mitigar os impactos das flutuações nos preços globais.

A incorporação de tecnologias mais eficientes no transporte e armazenamento de combustíveis também pode contribuir para a redução dos custos operacionais, melhorando a competitividade do mercado interno.

Políticas públicas para estabilizar preços e sustentabilidade

Embora Angola mantenha preços de combustíveis consideravelmente mais baixos do que os da região, a sustentabilidade desse modelo precisa ser revista. Os custos de importação elevados e a necessidade de manter o equilíbrio fiscal exigem um plano de ajuste gradual.

O Governo deve implementar políticas de subsídios inteligentes, que sejam progressivas e não impactem excessivamente as finanças públicas.

A transição para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis, por meio de alternativas energéticas mais baratas e limpas, é uma via que deve ser considerada a longo prazo.

Prover um futuro energético sustentável

Em termos de gás liquefeito (GPL), a produção interna respondeu por grande parte da oferta, mas a redução de 11% na aquisição de GPL para o mercado interno no terceiro trimestre indica que há margem para melhorar a oferta interna.

É necessário um enfoque estratégico para garantir que Angola possa atender à crescente demanda interna, ao mesmo tempo que fortalece suas exportações e se posiciona como um hub energético regional.

Conclusão

Angola está em um ponto de inflexão no que diz respeito à sua política energética. Para reduzir a dependência de importações e garantir uma maior segurança energética, o país deve investir na expansão e modernização da sua infraestrutura de refinação, incentivar o desenvolvimento de energias renováveis e aprimorar a eficiência na gestão dos recursos energéticos.

Com ações prudentes, estratégicas e sustentáveis, Angola pode transformar seu setor energético, assegurando não apenas a estabilidade dos preços, mas também um futuro mais próspero e independente.

A sabedoria econômica reside em antecipar as necessidades do futuro e adotar ações firmes e bem planejadas hoje. O sucesso de Angola na redução da dependência de importações de combustíveis está em suas mãos. Com a ação estratégica certa, o país pode se posicionar como um líder em energia na África e no mundo.

*Economista

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