
Os agentes de segurança efecto a empresa Provigi, Lda. estão há sete meses sem verem as cores dos seus salários, uma situação que está a agravar-se e a colocar os trabalhadores em dificuldades financeiras extremas, soube o Imparcial Press.
Segundo um dos seguranças que presta serviço no Hospital Pediátrico David Bernardino, em Luanda, que preferiu manter o anonimato para evitar represálias, o último pagamento foi referente ao mês de Março. Desde então, têm recebido justificações contraditórias sobre a origem do problema.
“Ora dizem que o hospital não está a pagar à empresa, ora dizem que o Ministério das Finanças não está a liberar os fundos”, explicou.
A empresa responsável pelos serviços de segurança privada, a Provigi, liderada por Horácio António, inicialmente garantiu aos trabalhadores que a situação seria resolvida em breve, mas os atrasos persistem.
O atraso salarial tem levado os trabalhadores a situações de desespero. “Enquanto esperamos pelos nossos salários, temos de encontrar formas de sustentar as nossas famílias. Estamos a contrair dívidas para sobreviver”, relatou o segurança, evidenciando o impacto directo nas suas condições de vida.
Entre as maiores preocupações estão as propinas e outras despesas escolares dos filhos e familiares, agravadas pelo facto de muitas crianças estudarem em instituições privadas.
Para enfrentar as dificuldades, os trabalhadores da Provigi, Lda. recorrem frequentemente a empréstimos informais com altos juros, conhecidos localmente como “um-por-dois”.
O esquema exige que se devolva o dobro do valor emprestado, o que compromete ainda mais os rendimentos futuros. “Quando recebermos os salários em atraso, o dinheiro já estará comprometido com os ‘kinguilas’ e os cantineiros”, lamentou o operativo, que já acumula quatro empréstimos por pagar.
Este cenário de atrasos salariais não é novo para os trabalhadores da Provigi. O entrevistado revelou que, em 2021, passaram oito meses sem receber vencimentos. Além disso, mesmo nos períodos regulares, os pagamentos são frequentemente demorados, dificultando o planeamento financeiro das famílias.
Apesar das dificuldades, muitos trabalhadores continuam na empresa por falta de alternativas no mercado de trabalho. “Não me demito porque está muito difícil encontrar outro emprego”, confessou. Alguns, em desespero, recorrem a pedir ajuda aos familiares dos pacientes enquanto circulam pelo hospital.