
O MPLA realizou neste sábado uma passeata em alusão ao seu sexagésimo oitavo aniversário na capital angolana.
O ministro do Interior escreveu o seguinte na sua página do Facebook sobre a marcha: “Juntámo-nos à marcha em saudação ao 68.º aniversário do nosso glorioso MPLA, um momento especial para honrar a história, a resiliência e o compromisso do Partido com as causas do nosso povo. Estamos juntos e mais próximos!”
À mensagem associam-se algumas fotografias onde Manuel Homem aparece em alegre folguedo e com um sorriso despreocupado de orelha à orelha.
Manuel Homem continua a ser militante do MPLA. Mas agora tem responsabilidades republicanas: É ministro do Interior! O seu compromisso agora é com o Estado. Tem de ter atenção à jogada.
A sua participação em actividades partidárias pode influir na função que exerce. Pode comprometer a imparcialidade ou violar as normas éticas ou legais.
Pode dar trunfos à oposição para argumentar: A Polícia carrega sobre manifestantes ou adversários políticos do partido no poder pelo facto de o ministro ser militante activo do MPLA. Que a Polícia pilha as zungueiras a mando do partido no poder.
Cuidado, Homem!
O ministro do Interior tem de saber separar as suas funções. Uma coisa é ser um agente público outra é ser militante do MPLA. É como saber distinguir a mão esquerda da direita.
Doutro modo a garantia da integridade e da imparcialidade do cargo que ocupa fica comprometida. A oposição pode transformar a participação do ministro do Interior em actividades partidárias em factos políticos estrondosos.
Pode alegar que a gestão do Ministério do Interior está para beneficiar o partido no poder e os seus militantes. Pode afirmar que o Ministério do Interior está a ser usado como plataforma de promoção pessoal e política do seu titular.
Cuidado, Homem!
As acções do ministro Manuel Homem e do militante com o mesmo nome devem ser claramente separadas, sob pena de desonrar a História e de pôr em causa o juramento feito para cumprir e fazer cumprir a Constituição vigente na República de Angola aquando da sua nomeação.
Sob pena de estar cada vez mais separado e distante dos cidadãos e mais próximo dos militantes do partido em que milita. O País demanda um ministro atento aos problemas que o seu pelouro deve solucionar. Dispensa um militante activo à testa do Ministério do Interior.
Cuidado, Homem!
Muito cuidado mesmo!
*Jornalista