Inspector-chefe Trezor acusado de burlar milhões de kwanzas com falsas promessas de emprego no Ministério do Interior
Inspector-chefe Trezor acusado de burlar milhões de kwanzas com falsas promessas de emprego no Ministério do Interior
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O antigo comandante da Esquadra do Titanic, conhecido como Imbondeiro, o inspector-chefe Trezor Atanásio Tchenda, de 35 anos, está a ser acusado de burlar 2 milhões e 500 mil kwanzas a cidadãos, mediante falsas promessas de enquadramento no Ministério do Interior.

De acordo com informações avançadas pelo portal Na Mira do Crime, o caso remonta ao ano de 2022, quando o inspector-chefe terá abordado uma das vítimas, aproveitando-se da amizade existente entre ambos, e questionou se esta não teria familiares interessados em ingressar no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME).

Para justificar o esquema, alegou possuir ligações familiares com o então ministro do Interior, Eugénio César Laborinho.

Na verdade, o inspector-chefe Trezor Atanásio Tchenda, de 35 anos, é amigo de sobrinhos do recém exonerado ministro do Interior, Eugénio César Laborinho. O mesmo é conhecido ironicamente como o sobrinho de todos os comandantes.

Convencida pela proposta, a vítima mobilizou familiares interessados, que na primeira fase entregaram um montante de 1 milhão e 100 mil kwanzas, equivalente a quatro vagas.

Posteriormente, o inspector-chefe terá voltado a contactar a vítima, alegando que havia recebido mais vagas para enquadramento na polícia. Nessa segunda fase, foram entregues 600 mil kwanzas adicionais.

O esquema continuou, e o acusado solicitou mais 800 mil kwanzas, sob o pretexto de disponibilização de três vagas no Corpo de Bombeiros, perfazendo o total de 2 milhões e 500 mil kwanzas.

No decorrer do tempo, ao perceber que nenhum dos familiares havia sido chamado para as supostas formações, a vítima começou a pressionar o inspector-chefe. Este prometeu restituir os valores, tendo devolvido apenas 500 mil kwanzas. Desde então, o acusado deixou de atender as chamadas da queixosa.

Face à situação, a vítima apresentou queixa na Inspecção da Polícia no início de Outubro, onde foi informada de que o inspector-chefe é reincidente em práticas do género. Contudo, até ao momento, nenhuma acção concreta foi tomada, o que levou a queixosa a clamar por justiça.

Respeitando o princípio do contraditório, o jornal tentou, sem sucesso, contactar o inspector-chefe Trezor Atanásio Tchenda, através de chamadas telefónicas e mensagens. Em resposta ao caso, o porta-voz da Polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, informou que irá pronunciar-se em breve sobre a situação.

A denúncia expõe preocupações quanto a abusos de confiança e práticas ilícitas dentro das estruturas policiais, reforçando a necessidade de apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos para preservar a integridade dos órgãos tutelados pelo Ministério do Interior.

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