
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o CAB-LA como profilaxia pré-exposição (PrEP) “pode ser administrado a pessoas em risco substancial de infecção por HIV como parte de abordagens abrangentes de prevenção”.
As campanhas do Governo do Zimbabué para evitar as mortes associadas à Sida (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, na sigla em inglês) têm contribuído para a diminuição de vítimas – passou de 130 mil mortes em 2002 para 20 mil em 2021.
No ano passado, o Zimbabwe lançou um plano estratégico que visa erradicar a doença até 2030 e, até agora, já conseguiu atingir a denominada meta “90-90-90”: 90 por cento das pessoas portadoras de HIV sabem da sua condição; 90 por cento estão a receber tratamento antirretroviral; e 90 por cento tem o vírus “suprimido”.
A aprovação deste medicamento no país é uma novidade e um avanço no continente, considerando que na maioria dos países africanos as pessoas portadoras de HIV, pessoas pertencentes a comunidades LGBTQIA+ e profissionais do sexo são marginalizadas no acesso aos cuidados de saúde, devido às leis e à segregação social.
Em Junho passado, a OMS aconselhou que vários países aprovassem o CAB-LA como profilaxia pré-exposição depois de se verificar um aumento de novas infeções por HIV em todo o mundo.
“Os esforços de prevenção do HIV estagnaram, com 1,5 milhões de novas infeções em 2021 – o mesmo que em 2020”, adiantou na altura a OMS.
“Foram registas quatro mil novas infeções todos os dias em 2021, com grupos de risco e respetivos parceiros a serem responsáveis por 70 por cento das infeções por HIV em todo o mundo”.
De acordo com a investigação da OMS, o tratamento injetável com CAB-LA a cada dois meses é seguro, bem tolerado e altamente eficaz na redução do risco de infeção por HIV.
Aprovação de CAB-LA é “passo crucial”
O sistema de saúde no Zimbabwe enfrenta várias dificuldades devido à crise económica do país e, também por isso, a Organização Mundial da Saúde considera que a aprovação regulatória deste medicamento de prevenção do HIV é “um passo crucial” e garante que apoiará o país africano a “projetar e desenvolver programas para que o CAB-LA possa ser implementado com segurança e eficácia, para um maio impacto”.
O medicamento agora aprovado é a esperança para as autoridades de saúde internacionais na redução de vítimas mortais na África Austral.
“Acelerar a prevenção do HIV para meninas e mulheres jovens requer uma expansão das opções disponíveis. Estou animada e orgulhosa de saber que o meu próprio país aprovou o uso de CAB-LA. Isto vai contribuir para a prevenção do HIV no Zimbabwe”, disse ao Guardian Nyasha Sithole, da rede Agenda de Desenvolvimento para Meninas e Mulheres na África (DAWA).
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é uma das organizações envolvidas na batalha do HIV/Aids no Zimbábue e, de acordo com as suas estatísticas, a prevalência de HIV diminuiu de 26,5 por cento em 1997 para 14,3 por cento até hoje – continuando, contudo, a ser a quinta maior taxa de prevalência de HIV no mundo.
in RTP