
Os trabalhadores colocados nas áreas remotas consideram inaceitáveis as condições sociais a que estão sub metidos e exigem urgência na quitação dos subsídios de isolamento, fundamentais para garantir um mínimo de dignidade.
O diploma 67/23, de 7 de Março, estabelece um subsídio de 30% do salário base para a renda de casa, o mesmo percentual para o subsídio de isolamento e 50% para o de instalação.
A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, citada recentemente pela rádio pública, informou que os subsídios começaram a ser pagos de forma faseada, com a previsão de atingir todo o país a partir de Janeiro do próximo ano.
Segundo Daves, não há motivos para alaridos, uma vez que a questão está salvaguardada. No entanto, o descontentamento e o desespero crescem entre os profissionais, principalmente nos sectores da educação, saúde e agricultura.
“Um indivíduo deixa a sua família para vir cá trabalhar, numa vida de escravo onde falta tudo. Não há vida aqui. Ainda não pagam os tais subsídios”, lamentou Major Ndenle, técnico agrícola no município do Mungo.
Outros também expressam decepção com a falta de condições e a ausência dos subsídios, resultando em várias marchas de protesto em todo o país, com a província do Huambo a liderar os actos nesta semana, levando às ruas cerca de 300 profissionais.
Abel José, do Sindicato dos Professores, uma das classes amplamente afetadas, considerou inaceitável que o governo não honre suas obrigações, ressaltando que os trabalhadores em áreas remotas precisam de atenção especial e dignidade.
“Não compreendo como um dinheiro já cabimentado não chega ao trabalhador que labuta na casca da rolha. Tudo isso demonstra falta de vontade de quem governa e é um insulto a todos os trabalhadores”, declarou.
Joaquim Laurindo, da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos, classificou a situação como um falso problema, afirmando que apenas algumas províncias enfrentam constrangimentos, um assunto que está sendo tratado com o governo.
“Não podemos generalizar, apenas algumas províncias não receberam, mas está a ser resolvido”, esclareceu o sindicalista.
Adriano Manuel, do Sindicato dos Médicos, destacou que a insensibilidade das autoridades é recorrente, demonstrando falta de respeito pelos servidores públicos. “Nunca cumprem o que dizem, só com greves e manifestações é que despertam”, criticou.
Esse cenário tem levado algumas instituições a enfrentar a fuga de quadros para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições e oportunidades, impactando negativamente a prestação de serviços públicos de qualidade.
Angola deixou de pagar os subsídios de isolamento pouco depois da independência em 1975, agravando o êxodo rural, pois o instrumento incentivava os jovens a trabalhar em zonas rurais.
in Pungo a Ndongo