A fronteira empresarial de Angola – Sousa Jamba
A fronteira empresarial de Angola – Sousa Jamba
Sousa Jamba

Angola encontra-se num momento de transformação, que exige não apenas acção, mas um salto fundamental no pensamento. A nação assemelha-se a um navio onde os partidos políticos e os líderes servem meramente como a tripulação de ponte, enquanto a sua verdadeira direcção deve ser traçada por mentes que pensem para além das filiações políticas e se concentrem no desenvolvimento nacional.

Os ventos económicos são inegavelmente favoráveis. Com um crescimento projectado de 3,4% para 2024, 65% de geração de energia limpa e 86% de cobertura de rede móvel, Angola posiciona-se na vanguarda verde e digital de África.

No entanto, estas estatísticas significam pouco sem um pensamento original e mentalidades de resolução de problemas que transcendam as fronteiras tradicionais. O desafio para os jovens angolanos não reside em compreender estes números, mas em convertê-los em progresso social tangível.

Recentemente, testemunhei este potencial em primeira mão. Um dos meus antigos alunos, a quem ensinei comunicação estratégica no Huambo, entabulou discussões significativas com um empresário americano durante a visita do Presidente Joe Biden a Angola.

Este encontro exemplifica as oportunidades emergentes para os jovens angolanos que ousam pensar de forma diferente e envolver-se globalmente.

A economia angolana assemelha-se a um navio colossal que requer múltiplas competências, mas, mais importante ainda, precisa de perspectivas frescas e soluções inovadoras.

Chegou a hora de os jovens angolanos libertarem-se de padrões de pensamento convencionais e desenvolverem soluções que respondam às reais necessidades da sociedade. O sucesso requer não apenas perícia técnica, mas também a coragem de pensar de forma original e independente.

Para os jovens empreendedores – os futuros arquitectos da economia angolana – o desafio é duplo: desenvolver tanto a perspicácia empresarial como uma compreensão mais profunda das necessidades nacionais.

A questão fundamental que devem colocar a si mesmos não é apenas: Como posso ter sucesso?, mas Como pode o meu sucesso resolver os desafios de Angola?

Esta mudança de pensamento – da realização individual para a contribuição nacional – marca a diferença entre mera actividade empresarial e verdadeiro desenvolvimento económico.

O caminho a seguir exige um pensamento original em múltiplas frentes:

  • Como pode a produtividade agrícola servir a segurança alimentar?
  • Como pode a inovação digital colmatar as lacunas educacionais?
  • Como pode o desenvolvimento de infra-estruturas conectar comunidades?

Estas questões requerem mentes que pensem para além das divisões políticas e se concentrem em soluções nacionais.

Os críticos podem apontar para os desafios, mas a juventude angolana deve desenvolver a coragem intelectual para os encarar como oportunidades para soluções inovadoras.

A nação precisa de jovens que pensem criticamente sobre os problemas, proponham soluções originais e trabalhem em colaboração, transcendendo as divisões políticas e sociais.

A privatização de empresas estatais, a diversificação económica e o avanço tecnológico necessitam de perspectivas frescas, livres de padrões de pensamento tradicionais.

Os jovens angolanos devem aprender a reflectir profundamente sobre os desafios da sua nação e o seu papel na sua resolução. Seja na agricultura, na energia limpa, nos serviços digitais ou no desenvolvimento de infra-estruturas, as oportunidades aguardam aqueles que conseguem pensar de forma original na resolução dos desafios nacionais.

Chegou a hora de a juventude angolana dar este salto intelectual – pensar de forma original, pensar a nível nacional e reflectir profundamente sobre o seu papel na construção do futuro da sua nação.

A questão não reside apenas em aproveitar oportunidades, mas em desenvolver a capacidade intelectual para criar novas.

Angola precisa não apenas de empreendedores, mas de líderes de pensamento que possam visualizar e criar um futuro melhor para todos os seus cidadãos. Acima de tudo, este é um apelo à coragem intelectual.

Os jovens angolanos devem elevar-se acima das filiações políticas e reflectir profundamente sobre as necessidades da sua nação. O futuro não é algo que acontecerá a Angola – deve ser moldado por mentes que pensem para além do presente e imaginem novas possibilidades. As fundações estão lançadas; agora precisamos que os arquitectos de amanhã construam sobre elas.

É chegado o momento de os angolanos se libertarem dos grilhões psicológicos da autodúvida pós-colonial. Durante demasiado tempo, assistimos à margem, enquanto outros – do Oriente e do Ocidente – vieram às nossas costas para aproveitar oportunidades que deveriam ser nossas. Não se trata de proteccionismo; trata-se de reclamar o nosso lugar de direito na nossa própria economia.

A nossa hesitação em assumir riscos empresariais ousados, a nossa tendência para esperar por perícia estrangeira, o nosso hábito de subvalorizar o nosso conhecimento local – estes não são traços inerentes, mas comportamentos aprendidos, resquícios de uma mentalidade colonial que devemos agora superar de forma decisiva.

Quando os investidores estrangeiros vêem oportunidades lucrativas nos nossos sectores da Agricultura, Tecnologia ou Energia, estão a ver os mesmos recursos e potencial que nós ignoramos diariamente.

A actual onda de interesse global em Angola não se resume aos nossos recursos naturais ou à dimensão do nosso mercado – é um testemunho do nosso potencial inexplorado. Mas por que razão deveríamos ser meros espectadores no nosso próprio renascimento económico?

Cada milionário estrangeiro feito em Angola deveria ser um alerta, uma lembrança das oportunidades que deixámos escapar. Os nossos filhos merecem herdar uma economia moldada pela ambição e inovação angolanas, não apenas pelo investimento estrangeiro.

O caminho do colonialismo para a verdadeira independência económica exige mais do que liberdade política – exige a coragem de acreditar nas nossas próprias capacidades e a ousadia de agir em conformidade com essa crença.

*Jornalista e escritor

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