Sabotagem na linha férrea do CFB ameaça operações no Corredor do Lobito
Sabotagem na linha férrea do CFB ameaça operações no Corredor do Lobito
corredor do lobito

Cerca de 950 unidades de fixação da linha férrea do Caminho de Ferro de Benguela (CFB) foram removidas por desconhecidos no município de Caimbambo, província de Benguela, no primeiro dia de Janeiro de 2025.

O acto de vandalismo, ocorrido num troço de 119 metros, obrigou à paragem de um comboio-expresso proveniente do Luena, província do Moxico, com destino ao Lobito, durante nove horas.

O director de infra-estruturas do consórcio Lobito Atlantic Railway (LAR), Tiago Lisboa, revelou que a equipa técnica deslocada ao local confirmou os danos e trabalhou para restabelecer as condições mínimas de circulação, tanto para os comboios de passageiros como para os de carga. A situação gerou transtornos significativos para os passageiros, com impactos a nível económico e social.

O incidente representa uma séria ameaça para o Corredor do Lobito, uma infra-estrutura estratégica que liga o Porto do Lobito ao Cinturão de Cobre na República Democrática do Congo, através de uma linha férrea de mais de 1.300 quilómetros.

Este corredor é fundamental para o transporte eficiente de minerais e mercadorias, além de impulsionar a actividade económica regional.

Tiago Lisboa destacou a necessidade de sensibilizar a população sobre os perigos de actos de vandalismo, considerando humanamente impossível monitorar toda a extensão da linha férrea.

Sublinhou que ações como estas não só provocam prejuízos económicos como também colocam em risco a segurança de passageiros e trabalhadores.

A Polícia Nacional já iniciou investigações para localizar os responsáveis e prometeu apresentar resultados em breve.

Paralelamente, o director comercial e de operações do CFB, Fábio de Carvalho, assegurou que a companhia está empenhada em garantir a proteção e o conforto dos passageiros, mantendo serviços como assistência médica e catering a bordo dos comboios.

O consórcio Lobito Atlantic Railway, formado pelas empresas Trafigura, Mota-Engil e Vecturis SA, assumiu a gestão e manutenção da linha férrea em Janeiro de 2024, no âmbito de uma concessão de 30 anos atribuída pelo Estado angolano.

A empresa também opera o terminal mineiro do Porto do Lobito, integrando um sistema logístico que oferece maior eficiência no transporte de minerais e mercadorias.

O Corredor do Lobito tem desempenhado um papel central na dinamização económica da região, proporcionando uma alternativa rápida e descongestionada para o escoamento de recursos do Cinturão de Cobre.

No entanto, incidentes como este reforçam a necessidade de medidas robustas para proteger esta infraestrutura crítica e assegurar a continuidade das operações que são vitais para Angola e os seus parceiros regionais.

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