
Na província do Cunene, os efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF), destacados no âmbito da Operação Olupale, revelam estar a enfrentar condições extremas de privação e abandono, expondo fragilidades graves na gestão da segurança transfronteiriça no sul de Angola.
De acordo com informações recolhidas pelo Imparcial Press no local, os agentes encontram-se há dois meses sem acesso a água potável, alimentação e assistência médica.
A ausência de provisões básicas tem levado os efectivos a recorrer a práticas desesperadas, incluindo a troca de bens pessoais por comida junto das comunidades locais.
Sem apoio logístico adequado, alguns efectivos têm estabelecido relações informais com mulheres da região em troca de sustento, num cenário agravado pela elevada prevalência do VIH/SIDA no Cunene, conforme os dados do Ministério da Saúde.
Estas práticas, além de perigosas, reflectem a falta de condições mínimas para manter a dignidade e segurança dos agentes.
A degradação física e moral é alarmante. “Estamos inclinados ao consumo excessivo de álcool e tabaco porque não há absolutamente nada para fazer”, admitiu um dos efectivos ouvido pelo Imparcial Press, frisando que a ausência de tarefas operacionais significativas mina os objectivos da missão.
Os mesmos criticam a falta de acompanhamento por parte do comandante da 13.ª Unidade da PGF no Cunene, superintendente-chefe Alexandre da Costa Quinguri, apelando por uma inspecção urgente do Comando Geral da Polícia Nacional para constatar in loco os factos.
“Aqui não há energia, água, nem sequer uma ambulância para emergências. Recentemente, um colega quase perdeu a vida por falta de transporte para o hospital”, revelou outro agente.
Embora a Operação Olupale, iniciada em Outubro de 2024, tenha sido concebida para combater crimes transfronteiriços como imigração ilegal, contrabando, caça furtiva e roubo de gado, os agentes questionam a falta de resultados concretos.
“Não entendemos o propósito desta operação. Estamos aqui há meses sem qualquer balanço das acções realizadas”, denunciaram os efectivos, apontando o sentimento de abandono pela cadeia de comando.
A situação no Cunene evidencia falhas estruturais na gestão das forças de segurança em Angola. Apesar do plano nacional de modernização em curso, as condições deploráveis no terreno contrastam fortemente com os objectivos anunciados pelas autoridades.
Os largados apelam à intervenção do comandante-geral da Polícia Nacional, comissário-geral Francisco Monteiro Ribas da Silva, e exigem uma resposta urgente. “O país não está em guerra, mas as condições que enfrentamos são inaceitáveis”, reforçam os agentes ao Imparcial Press.
A Operação Olupale, destinada a reforçar a segurança na fronteira sul do país, enfrenta agora duras críticas pela falta de planeamento e apoio às forças destacadas. Enquanto os efectivos da PGF lutam por condições mínimas de sobrevivência, o objectivo inicial da operação permanece ofuscado por problemas logísticos e humanos.
Enquanto isso, a operação “OLUPALE” continua sem resultados visíveis, e os efectivos da PGF permanecem numa luta pela sobrevivência em vez de pelo cumprimento da missão.