
A Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadoria de Angola (ATROMA) prevê efectuar uma paralisação total e por tempo indeterminado dos serviços de transporte de mercadorias com destino às províncias do Zaire e Cabinda.
A medida, comunicada aos Ministérios dos Transportes, do Interior, ao Comando Geral da Polícia Nacional e a outras entidades, surge como forma de protesto contra acções que a associação considera arbitrárias por parte das autoridades policiais, judiciais e judiciárias no Zaire.
Segundo um informe da ATROMA, enviado à redacção do Imparcial Press, os camionistas têm sido alvo de detenções e apreensões no posto de controlo do rio Loge, no Bengo.
A associação denuncia que a polícia tem agido contra camiões equipados com depósitos alternativos de combustível, incluindo os de origem, classificando-os como ilegais.
Os transportadores argumentam que, sem esses depósitos adiccionais, é impossível realizar as viagens entre Luanda e Cabinda, passando pelo Zaire e pela República Democrática do Congo (RDC), devido à insuficiência de combustível disponível na região.
A associação sublinha que, na província do Zaire, abastecer um camião com apenas 100 litros de combustível pode levar até sete dias, agravando os custos operacionais das empresas, que precisam arcar com despesas adiccionais de alimentação e alojamento para os motoristas.
Essa situação tem causado atrasos significativos nas entregas de mercadorias, resultando em conflitos contratuais com os clientes.
A ATROMA critica ainda a Lei n.º 5/24, de 23 de Abril, que regula o transporte rodoviário, afirmando que foi aprovada sem consulta aos operadores do sector.
Para a associação, algumas das normas estabelecidas pela lei são um entrave à livre iniciativa económica, garantida pela Constituição da República de Angola.
Em protesto, a paralisação incluirá manifestações pacíficas na região do rio Loge, no eixo Caxito-Nzeto, em conformidade com o artigo 47.º da Constituição, que garante o direito à manifestação.
A ATROMA informou que o transporte de mercadorias para o Zaire e Cabinda permanecerá suspenso até que as normas contestadas sejam revistas e ajustadas.
A decisão ameaça comprometer o abastecimento de bens essenciais nas duas províncias, que dependem fortemente do transporte rodoviário.
Até ao momento, as autoridades visadas no comunicado não emitiram qualquer declaração sobre as reivindicações dos transportadores ou sobre as possíveis implicações da paralisação.