
O Hospital Pediátrico do Cubango registou, em 2024, um aumento no número de crianças diagnosticadas com HIV/SIDA, passando de 61 casos em 2023 para 74 no último ano.
Os dados foram divulgados na terça-feira, 28, pela directora da unidade hospitalar, Ilídia Martinho, que alertou para a necessidade de maior acompanhamento médico às gestantes para reduzir a transmissão do vírus.
Segundo a responsável, as crianças infetadas nasceram de mães seropositivas que desconheciam o seu estado serológico e realizaram partos domiciliares sem qualquer assistência médica, o que contribuiu para o aumento do contágio.
Actualmente, o hospital presta assistência a 239 crianças com idades entre 0 e 14 anos que vivem com HIV/SIDA.
Ilídia Martinho apontou os bairros Pandera, Novo, Paz, Castilhos, Popular e Saprinho como as áreas com maior prevalência da doença.
A médica destacou ainda que, por vergonha ou falta de informação, muitas mães abandonam o tratamento, comprometendo a sua saúde e a dos filhos. Apesar disso, garantiu que o hospital dispõe de medicamentos suficientes para atender a população.
Além dos casos de HIV/SIDA, a malária continua a ser uma das principais preocupações no Hospital Pediátrico do Cubango.
Em 2024, foram diagnosticados 16.848 casos da doença, um aumento de 1.460 em relação ao ano anterior. Desses, 76 resultaram em óbito, uma redução de cinco mortes comparativamente a 2023.
No total, a unidade hospitalar realizou 53.521 consultas médicas, com 3.107 crianças internadas por diversas patologias, um aumento de 629 casos face ao ano anterior.
As estatísticas apontam ainda para 9.298 casos de doenças diarreicas agudas (-563), 8.134 casos de doenças respiratórias agudas (+1.791), 429 casos de malnutrição (+91) e 1.557 casos de febre tifóide (+335). Além disso, foram realizadas 2.945 transfusões de sangue ao longo do ano.
O Hospital Pediátrico do Cubango atende diariamente entre 200 a 250 crianças, com predominância de casos de malária, anemia, doenças diarreicas e respiratórias.
A unidade hospitalar dispõe de uma capacidade de internamento de 77 camas e conta com uma equipa de oito médicos e 80 enfermeiros para garantir o atendimento às crianças.
Os números evidenciam a necessidade de reforçar o acompanhamento pré-natal para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, bem como a implementação de medidas eficazes no combate à malária e a outras doenças prevalentes na região.