
Tonto e assustado, regime do MPLA mostra em pleno sua face despótica. Aí está! Se alguém, em absurda distração e espírito de contemporização sem limites, ainda achava que o regime angolano não é uma AUTOCRACIA pura e dura, ontem por certo terá visto cair-lhe a venda dos olhos – por sinal, de um grosseiro pano negro.
Aí está, completamente escancarado, o disfarce que ainda encobria o regime despótico do MPLA, ao impedir a entrada em Angola de várias personalidades políticas estrangeiras.
Percebe-se, então, que Bob Geldof estava coberto de razão quando há uns anos, durante um colóquio realizado em Lisboa, qualificou o governo angolano não apenas como uma simples tirania.
Ele foi mais longe na adjectivação, dizendo para todo o mundo ouvir que se tratava de uma “gangue” criminosa enquistada no poder em Luanda.
Com efeito, ficou claro que, debaixo da aparente respeitabilidade que lhe confere a existência de uma Constituição e demais legislação, instituições governamentais e parlamentares, partidos da oposição e outros artefactos como uma sociedade civil organizada, o regime de Luanda tem o DNA do despotismo a correr-lhe nas veias.
E ontem esse regime mostrou as garras. Diga-se de passagem, de forma absurda e estúpida, já que o MPLA costuma ser discreto diante de visitantes internacionais. Usando instrumentos de marketing e polidez propagandística, procura sempre cobrir-se de respeitabilidade, evitando qualquer fanfarra que exponha a sua verdadeira face.
Ontem, enfim, o regime perdeu as estribeiras, assustado com o colóquio da Internacional Democrática de Centro (IDC), que tem lugar a partir de hoje em Benguela, para abordar a problemática do futuro da democracia em África.
Caiu o disfarce da GANGUECRACIA de Luanda.
De qualquer forma, nunca me deixei enganar. Quando olho para o sinistro “trio eléctrico” que o MPLA geralmente coloca à frente da bateria, composto por indivíduos do jaez de Norberto Garcia, Tomás Bica, Job Capapinha, Bento Bento, toda a Cangambada e agora Manuel Homem, a imagem que me salta à vista é, invariavelmente, a de uma indisfarçável “Squad” política.
*Jornalista