BPC gasta milhões de dólares em terceirização da gestão de TI com empresas estrangeiras
BPC gasta milhões de dólares em terceirização da gestão de TI com empresas estrangeiras
BPC - HORIZONTAL FUNDO AZUL

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) volta a estar no centro de uma polémica, desta vez relacionada com a terceirização da sua Direcção de Tecnologias de Informação (DTI) com as empresas portuguesa e sul-africanas, Informantem – Informática e Manutenção, S.A.. e Crayon Africa SA (Pty) Ltd., desde 2020.

Inicialmente, o BPC celebrou o primeiro contrato com a empresa sul-africana Crayon Africa SA (Pty) Ltd. com sede em Joanesburgo, no valor de 2.896.586,81 de dólares para o fornecimento de um Software Informático Microsoft.

Este contrato foi celebrado a 31 de Março de 2020, pelo então presidente do Conselho de Administração (PCA), António André Lopes, e o então administrador executivo, Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, atual PCA do banco, e pelo director general da Crayon, Werner Wilders.

Já o segundo contrato foi celebrado a 16 de Dezembro de 2020, no valor de 582 mil euros, igualmente por António André Lopes e Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, da parte do BPC, e Fernando Alves Lopes, da empresa portuguesa Informantem – Informática e Manutenção, S.A..

O referido contrato, denominado “Fornecimento, Instalação e Manutenção em Regime de Aluguer Operacional de Equipamento Informático para Atualização da Plataforma IBM”, previa a modernização da infra-estrutura de TI do banco, contudo, fontes internas do BPC denunciam que a medida escondia interesses obscuros e favorecimento empresarial.

Mesmo após a celebração dos referidos contratos, os problemas informáticos e os desvios em contas particulares de altos funcionários públicos sem registos de depósitos no BPC persistiram e o Conselho de Administração decidiu apertar os técnicos da Direcção de Tecnologias de Informação (DTI).

No ano passado, o BPC decidiu migrar todos os dados dos seus clientes – incluindo operações bancárias de particulares, empresas e contas do Estado – para um serviço de cloud computing na África do Sul, com redundância no Reino Unido.

A medida faz parte do Programa de Modernização dos Sistemas Informáticos (PMSI), que já consumiu mais de 30 milhões de dólares desde o seu lançamento em 2017, sendo 10 milhões pagos à consultora Deloitte.

Segundo o portal Maka Angola, o sistema bancário Fusion Essence, utilizado pelo BPC, passará a ser gerido integralmente pela empresa Finastra, na África do Sul, sem qualquer intervenção de técnicos angolanos. O processo está a ser intermediado pela consultora KPMG.

Especialistas alertam que esta migração representa um risco significativo para a soberania nacional, uma vez que o BPC é um banco sistémico, responsável por operações do Orçamento Geral do Estado (OGE), da Presidência da República e dos serviços de defesa e segurança.

A Direção de Supervisão do Banco Nacional de Angola (BNA) manifestou preocupação com a decisão e reiterou a necessidade de os dados sensíveis dos clientes e operações bancárias permanecerem alojados em território angolano.

O Aviso n.º 8/20 do BNA exige que as instituições financeiras assegurem a proteção das suas infraestruturas tecnológicas, especialmente quando envolvem dados críticos e informações estratégicas do Estado.

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