Nelito Ekuikui e Adriano Sapiñala de costas viradas – Sabalo Salazar
Nelito Ekuikui e Adriano Sapiñala de costas viradas – Sabalo Salazar
Nelito e Sapiñala

A política não se faz apenas de discursos inflamados e aparições públicas; faz-se, antes de mais, da capacidade de unir forças, gerir conflitos e consolidar uma base coesa.

No entanto, a UNITA, que deveria ser o maior símbolo de oposição organizada em Angola, encontra-se refém de disputas internas que minam a sua credibilidade e comprometem o seu futuro político.

A rixa prolongada entre duas das suas figuras mais influentes, Nelito Ekuikui e Adriano Sapiñala, não é apenas um problema pessoal, mas um reflexo do fracasso de liderança de Adalberto Costa Júnior (ACJ).

Se um líder não consegue gerir os conflitos dentro da sua própria estrutura partidária, como pode convencer os angolanos de que tem capacidade para governar um país?

ACJ permitiu que a tensão entre Ekuikui e Sapiñala se arrastasse por quase um ano sem qualquer sinal de mediação eficaz. Esta postura não é apenas um erro estratégico, mas um sinal de fraqueza que o regime sabe explorar.

Um partido fragmentado não inspira confiança e, pior, torna-se facilmente manipulável por forças externas interessadas na sua desestabilização.

Internamente, a incapacidade de resolver estas divergências gera desmotivação nas bases, desorientação na militância e um clima de desconfiança que paralisa qualquer esforço de crescimento político.

Externamente, a imagem da UNITA enquanto alternativa de poder fica profundamente afetada. Como pode um partido dividido internamente prometer estabilidade e progresso ao país?

Por essa razão, até hoje não há fotos recentes de Nelito Ekuikui e Adriano Sapiñala juntos. A ausência de registos públicos de ambos lado a lado não é um mero detalhe; é a prova visível da cisão dentro da UNITA e do fracasso de ACJ em reverter esta situação.

Quando líderes partidários deixam de partilhar o mesmo espaço, o partido deixa de ser um coletivo e passa a ser uma coligação de interesses desconectados, onde cada um segue a sua própria agenda.

O falhanço de ACJ na pacificação das suas próprias fileiras é um alerta para o futuro da UNITA. Se o maior partido da oposição não conseguir ultrapassar as suas crises internas, não será necessário que o regime o enfraqueça, ele próprio se autodestruirá.

E se isso acontecer, quem pagará o preço será a oposição em Angola, que verá cada vez mais distante a possibilidade de uma verdadeira alternância política.

É Sakatindi- Informações Além do Óbvio.

*Perito Judicial & Especialista Forense

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