Caso Caleb: Réus em liberdade provisória por excesso de prisão preventiva
Caso Caleb: Réus em liberdade provisória por excesso de prisão preventiva
caleb6

Os principais arguidos no caso da morte do músico gospel Caleb Nzinga foram recentemente colocados em liberdade provisória, por decisão do Tribunal Provincial de Luanda, na sequência de excesso de prisão preventiva.

Segundo informações, os arguidos identificados como Solange Paulina e Sebastião, seu cúmplice, deixaram o estabelecimento prisional no dia 6 de Março, dias após a segunda sessão do julgamento, realizada a 27 de Fevereiro na 6ª secção da Sala dos Crimes Comuns do tribunal Dona Ana Joaquina.

A decisão surge após a defesa dos acusados ter invocado excesso de prisão preventiva, argumento acolhido pelo tribunal.

A medida gerou desagrado junto da família da vítima, que, antecipando esta possibilidade, havia enviado duas comunicações ao juiz presidente do processo, apelando à celeridade na tramitação do caso – sem, contudo, obter resposta.

O mandatário judicial da família manifestou frustração face à libertação dos réus, afirmando: “Não recebemos essa informação de bom agrado. Ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem. Esperamos que o tribunal exerça o seu papel e que a justiça seja justa”.

Recorde-se que dois cidadãos foram detidos por terem participado na morte, por agressão física na via pública, do músico gospel Caleb Nzinga, ocorrida no dia 27 de Fevereiro de 2024, na rua da Frescura, bairro da Petrangol, Distrito Urbano do 11 de Novembro, município do Cazenga.

O músico perdeu a vida dois dias depois – isto é, no dia 29 de Fevereiro – da brutal “surra”, com arremessos de blocos, pedras, garrafas, paus, no Hospital Josina Machel, onde foi levado de urgência para receber assistência médica.

O porta-voz da Polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, explicou na altura que Caleb Nzinga trabalhava numa casa de apostas desportivas e conheceu a Solanje numa igreja, e ambos se tornaram amigos. A rapariga pretendia fazer uma aposta desportiva (jogo angofoot ) e pediu emprestado dinheiro a Caleb, para devolver momentos depois, o que não aconteceu.

O músico insistiu junto da amiga que devolvesse o dinheiro para apresentar a conta certa à empresa, acabando por ir ao encontro dela, em casa desta, de modos a obter os valores, cuja quantia não foi revelada.

Segundo Nestor Goubel, diante da resistência em devolver os valores, o músico resolveu levar o telefone da acusada, como garantia, para que a mesma no dia seguinte devolvesse o dinheiro emprestado. “Só que ela foi muito astuta, uma vez que quando o Caleb fez o gesto de receber o telefone, a moça grita gatuno, gatuno”, disse.

Nestor Goubel explica que alguns jovens do bairro saíram de casa e começaram a agredi-lo de forma cruel, com recurso a objectos contundentes, fazendo com que perdesse os sentidos.

Diante da surra, o músico disse que não era gatuno, mas os cidadãos, enfurecidos, optaram por fazer justiça por mãos próprias, maltratando o jovem, cujas imagens correm nas redes sociais.

A próxima sessão do julgamento está agendada para o dia 17 do corrente mês. O caso continua a suscitar forte comoção pública e apelos à responsabilização dos envolvidos.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido