Da minha terra natal para os meus sonhos – Edna Mande
Da minha terra natal para os meus sonhos – Edna Mande
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Quando manifestei a intenção de sair (da província) do Namibe e recomeçar em Luanda, partilhei esse desejo com pessoas próximas — amigas e familiares.

A reação? Muitas vozes cheias de receio e dúvidas:
“Tu vais para Luanda? Vais sofrer… a vida lá é dura, tudo é diferente. Tu já tens facilidades aqui no Namibe, porquê arriscar?”

Essas palavras poderiam ter travado os meus passos, poderiam ter apagado a chama dentro de mim. Mas não apagaram. Porque a vontade de crescer, de vencer e de transformar a minha vida era maior do que qualquer medo ou desânimo.

Em 2020, deixei para trás o conforto do Namibe, a minha terra natal, com o coração cheio de esperança e a alma carregada de sonhos. Cheguei a Luanda sem conhecer a cidade, sem saber o que me esperava — apenas com imagens vistas pela tela e uma fé inabalável.

A realidade foi um choque: uma cidade caótica, imensa, impiedosa. Os dias tornaram-se longas batalhas. Caminhei distâncias que o meu corpo mal aguentava, por falta de dinheiro para o táxi. Enfrentei portas fechadas, olhares de desconfiança e o peso da solidão.

Houve noites em que chorei em silêncio. A dúvida tentava enraizar-se e o cansaço quase me derrubava. Mas a coragem de uma jovem que sonha não me deixou desistir.

Trabalhei sem descanso. Aceitei o que muitos rejeitariam — trabalhos sem remuneração — e mantive a minha dignidade intacta, mesmo quando o mundo parecia dizer o contrário.

Encontrei anjos na forma de pessoas que me apoiaram, que acreditaram em mim mesmo quando eu própria duvidava. E o apoio dos meus tios — os meus segundos pais — foi o chão firme onde plantei os pés.

Nada aqui foi fruto de favoritismo. Tudo foi conquistado com suor, trabalho árduo, humildade e uma fé inabalável em Deus.

Hoje, não sou a mesma jovem que chegou a esse porto desconhecido.
Sou Edna Mande, por muitos tratada como a miúda energética, a dona do país (risos), aquela que não se intimidou perante o impossível.

Sou uma mulher que ousou sonhar, que quebrou barreiras, que hoje caminha por caminhos que antes pareciam distantes, que fala com aqueles que antes só via na tela.

Ainda não cheguei onde quero, mas cada passo dado é uma vitória.
Cada desafio superado é uma medalha na minha alma.

E eu continuo, todos os dias, com fé, sabedoria e trabalho constante. Porque sei de onde vim e, sobretudo, sei para onde vou.

Esta é a minha história.
Esta sou eu.

*Jornalista

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