
Num momento em que o país enfrenta constrangimentos económicos severos, o Executivo angolano recorreu a mais um empréstimo internacional de 297 milhões de dólares, desta vez junto do Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM), com o objectivo de financiar a compra de aeronaves Boeing 787-10 Dreamliner para a companhia aérea pública TAAG – Linhas Aéreas de Angola.
O montante servirá também para aquisição de motores da General Electric Aerospace, num pacote de financiamento que, segundo a empresa, visa a “modernização da frota e a sustentabilidade financeira”.
No entanto, a operação levanta sérias dúvidas sobre as prioridades financeiras do Estado, sobretudo num contexto de austeridade e dívida pública crescente.
“Não se trata apenas da compra de aviões. Trata-se de uma redefinição da nossa capacidade operacional, financeira e comercial”, afirma Clóvis Rosa, presidente do Conselho de Administração da TAAG.
Contudo, não há clareza sobre como ou quando este investimento será recuperado, nem sobre os planos de rentabilização da nova frota.
Apesar do tom otimista da companhia, analistas apontam que a TAAG continua a operar sob forte dependência estatal e enfrenta dificuldades estruturais, desde má gestão até baixa competitividade no mercado internacional. Além disso, a ausência de resultados financeiros públicos auditados reforça a falta de transparência da companhia.
“Trata-se de mais uma aposta bilionária num sector que já consumiu milhares de milhões do erário, sem retorno proporcional ou melhorias consistentes no serviço prestado ao público”, afirma um economista ouvido pelo Imparcial Press.
A operação é apresentada como parte da “estratégia de transformação” da empresa, mas não resolve questões centrais como a má gestão histórica, a fraca rentabilidade das rotas ou o impacto financeiro que mais esta dívida poderá causar ao Estado.
Enquanto isso, saúde, educação e serviços básicos continuam a receber cortes, e a dívida pública ultrapassa os 80% do PIB, segundo dados recentes.
Em resumo, a compra dos Dreamliners poderá ser vista por muitos não como um avanço, mas como mais um luxo financiado a crédito, num país onde o essencial ainda falta a milhões.