Extermínio do Jornalismo – Artur Queiroz
Extermínio do Jornalismo – Artur Queiroz
marcha jornalistas

O Império Otomano foi desmantelado e ocupado por forças estrangeiras no final da I Guerra Mundial (1914-1918). Na Europa, forças francesas, britânicas e italianas ocuparam a Turquia.

Os ocupantes submeteram na Ásia, além da Turquia, Síria, Líbano, Palestina, Jordânia, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Iémen e partes dos Emirados Árabes Unidos. Em África, franceses e britânicos ocuparam o Egipto, Líbia, Tunísia e Argélia. Já tinham muitas colónias.

Os genocidas continuaram a esmagar os povos. Em 1935, Mussolini invadiu a Etiópia. Em 1953, 8 de Agosto, a Casa dos Brancos e Londres organizaram o “Golpe de Estado Mordad” (Operação Ajax) para derrubar o governo democrático da Pérsia (Irão), chefiado pelo primeiro-ministro Mohammed Mossadegh.

Dwight D. Eisenhower, o Trump da época, colocou no poder Reza Palavi, torturador e assassino. Foi derrubado em 1979. Em 1956, britânicos, franceses e israelitas invadiram o Egipto e ocuparam o Canal de Suez. O perigo vem da Rússia!

EUA, Reino Unido e França organizaram, até finais dos anos 60, golpes e “revoltas” em vários países africanos. Provocaram milhares de mortos. Em Angola patrocinaram a Guerra da Transição, quando terminou a Guerra Colonial (Luta Armada de Libertação Nacional).

Entre 4 de Fevereiro 1961 e 25 de Abril 1974 apoiaram politicamente, financiaram e armaram o regime colonialista e fascista de Lisboa. A Rússia é um perigo!

Na Guerra pela Soberania Nacional (11 de Novembro 1975 a 22 de Fevereiro 2002) EUA, Reino Unido, França e República Federal da Alemanha apoiaram politicamente, financiaram e armaram o regime racista de Pretória. A Rússia apoiou Angola. Que perigo!

A mesma coligação, reforçada com Portugal e Espanha, destruiu o Iraque. Os mesmos, disfarçados de OTAN (ou NATO), destruíram a Jugoslávia e a Líbia. Os colonialistas genocidas estão por trás de todas as guerras no mundo.

Apoiam o genocídio na Faixa de Gaza e Cisjordânia. Expandiram a OTAN (ou NATO) para o Leste da Europa. Forma de fazerem a guerra contra a Federação Russa, por procuração passada à Ucrânia, que já não tem carne para os canhões. Mas eles não têm pena dos ucranianos que sobrevivem aos bombardeamentos.

A ONU informou que de Fevereiro 2022 a Julho 2025 já morreram na Ucrânia 12.300 civis. No Leste da Ucrânia, entre o golpe de estado de 2014 e 2022 foram mortos 10.000 civis independentistas. A própria ONU fala em “limpeza étnica” nos seus relatórios. Mas destes não reza a História.

Entre 2022 e 2025 já morreram na Ucrânia 14 jornalistas sendo seis russos, quatro ucranianos, um italiano um norte-americano, um lituano e um irlandês. Tragédia!

A Federação Internacional de Jornalistas anunciou que na Faixa de Gaza e Cisjordânia, de Outubro 2023 até Abril de 2025 (dois anos e meio) já morreram 103 jornalistas, 91 homens e 12 mulheres que trabalhavam na televisão, rádio, imprensa e multimédia. Os mais castigados foram os repórteres de imagem. A Rússia é um perigo!

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informou que pelo menos 22 jornalistas palestinos, “claramente identificados”, foram assassinados pelos nazis de Telavive em pleno no exercício das suas funções. Todos os outros mortos “sofreram ataques que atingiram as suas residências”.

A RSF já apresentou duas queixas ao Tribunal Penal Internacional contra o governo de Israel. A organização relata casos de tortura a jornalistas nas prisões Israelitas. Mulheres repórteres são violadas pela soldadesca nazi e os guardas prisionais!

Leiam esta parte do relatório da Repórteres Sem Fronteiras:

O massacre de jornalistas em Gaza deve parar. A eliminação pelo exército israelita de jornalistas de Gaza, mais de 130 em menos de um ano, corre o risco de impor um apagão total dos meios de comunicação no enclave sitiado. Esses ataques não visam apenas a imprensa na Palestina, mas também o direito do público em todo o mundo de receber informação fiável, livre, independente e pluralista, de uma das zonas de conflito mais atentamente observadas no mundo. Exigimos a protecção dos jornalistas em Gaza, o fim da impunidade e a abertura da Faixa aos jornalistas estrangeiros. Trata-se do nosso direito à informação.

Lido isto e os actos, temos que os Media do “ocidente alargado” chamam terrorista ao movimento Hamas. Os nazis de Telavive, Casa dos Brancos, Bruxelas, Londres, Paris e Berlim são os democratas que estão a libertar o mundo dos palestinos como Hitler queria fazer com os judeus.

Quantos pacotes de sanções já impuseram aos nazis de Telavive? Zero. Matem à vontade que nós apoiamos, armamos, financiamos e aplaudimos. A Rússia é uma ameaça!

As “negociações” com o Hamas são poeira atirada aos olhos dos que ainda acreditam no Pai Natal. Até porque a Resistência Palestina tem mais organizações que defendem (e praticam) a luta armada de libertação. Nada têm a ver com o Hamas.

Os náufragos dos autocarros e do “metro” vão para o trabalho como autómatos. Regressam a casa, extenuados e vazios. Um miúdo da Faixa de Gaza que perdeu pais, irmãos e amigos faz-se explodir no “metro”, no comboio ou no autocarro. Todos lhe chamam terrorista. Mas ninguém aponta o dedo aos governos que lhe mataram tudo, até a vontade de viver.

A administração da Empresa Edições Novembro não pagou nem me disse como e quando vai pagar, o que me deve, há dez anos. Drumond Jaime (presidente do Conselho de Administração da Empresa Edições Novembro), Cândido Bessa, António Samuel Eduardo, Joaquim Pedro Zua Quicuca, Eunice Carla Teixeira Moreno (administradores executivos), Guilhermino Alberto e Victória Quintas (administradores não executivos) fazem figura de caloteiros e ladrões do pão de uma criança, o Nataniel Queiroz.

A tutela é conivente com o calote e o roubo. O Titular do Poder Executivo igualmente.

Drumond Jaime, Cândido Bessa, Guilhermino Alberto e Vitória Quintas são jornalistas. Essa condição obriga que em cada fracção de segundo das suas vidas, sejam capazes de viver entre as fronteiras da honra e da dignidade.

Não há ordem superior que se sobreponha à honra e à dignidade dos jornalistas. A condição de caloteiros e ladrões do pão de crianças é incompatível com a profissão de jornalista.

Não roubem o pão das crianças do Lar Kuzola. Não roubem o pão da criança Nataniel Queiroz. Não me coloquem, com o vosso calote, na condição de falhar nos deveres de garantir a uma criança, todos os seus direitos, nomeadamente o de comer. Kinga ainda!

*Jornalista

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