Angola: Corte de internet durante protestos contra subida do gasóleo gera indignação nacional
Angola: Corte de internet durante protestos contra subida do gasóleo gera indignação nacional
Manifs233

Uma onda de indignação varreu o país no fim de semana, após o súbito bloqueio dos serviços de internet por cerca de oito horas, ocorrido no sábado, 19 de Julho, exatamente durante as manifestações pacíficas contra o aumento do preço do gasóleo, realizadas em várias províncias de Angola.

A decisão do Executivo liderado por João Lourenço é acusada por várias organizações da sociedade civil de ter sido deliberada e politicamente motivada, visando abafar a repercussão das marchas populares que exigiam melhores condições socioeconómicas e protestavam contra o agravamento do custo de vida.

“Foi um acto de censura digital em plena luz do dia. Uma violação clara da Constituição e dos direitos fundamentais dos cidadãos”, afirma a nota conjunta assinada pelas organizações OMUNGA, Associação Upangue, Friends of Angola, FORDU e ALDA, em posse do Imparcial Press, que condenam o episódio como uma “atitude ditatorial e antidemocrática”.

A suspensão da internet coincidiu cirurgicamente com o horário das manifestações, que tiveram início às 13 horas. Fontes locais relataram a quase total ausência de sinal nas redes móveis e dados móveis inoperantes em várias operadoras, situação que comprometeu transmissões ao vivo, cobertura jornalística independente e a circulação de informações em tempo real.

Embora a empresa Angola Cables tenha atribuído o apagão digital a “danos em cabos de fibra óptica” causados por obras públicas nas zonas de Sangano e Angonap, especialistas e activistas colocam em causa a explicação técnica.

“Não é coincidência que justamente durante protestos nacionais se registe este tipo de ‘acidente’. Já vimos esse filme antes”, comentou um dos organizadores do protesto sob anonimato ao Imparcial Press.

Agora, as organizações civis exigem uma investigação urgente por parte da Procuradoria-Geral da República para apurar se houve ordens superiores que determinaram o corte intencional do sinal.

“O Estado não pode continuar a esconder-se atrás da ‘segurança nacional’ para reprimir vozes legítimas. O que vimos foi um silenciamento coordenado”, apontam os subscritores da nota de repúdio.

Este episódio reacende o debate sobre o controlo político das telecomunicações em Angola, especialmente quando estas são usadas como ferramentas de monitoria social e mobilização cívica.

Embora empresas como a UNITEL e a AFRICELL sejam formalmente privadas, as organizações denunciam interferência directa de autoridades estatais no seu funcionamento em momentos considerados “sensíveis”.

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