Furacão do ódio – Joaquim Nafoia
Furacão do ódio – Joaquim Nafoia
Mpla3

O ódio não constrói. Apenas e só destrói. A cultura de ódio implantada pelo regime nos seus 50 anos de poder apenas deu os resultados negativos que os angolanos estão a viver.

O ódio é um veneno que corrói a alma por via de sentimentos de ira e raiva. O possuidor de ódio se manifesta através de hostilidade, desprezo e actos de exclusão contra pessoas, grupos, ideias ou nações, chegando, no extremo, a provocar sofrimento e danos incalculáveis à sociedade.

O holocausto judeu e demais práticas de genocídio que a humanidade assistiu ao longo dos séculos são exemplos do quão nefasto é o ódio.

Em Angola também há disso. Não adianta escamotear. O MPLA tem adoptado a prática e cultura do ódio para fazer política. E quando a cultura de ódio e repressão é adoptada como linha ideológica e doutrinária como o MPLA o faz, o caos se torna inevitável, arruinando o país, tal como o demonstra a realidade dos 50 anos da existência de Angola como país independente.

É a cultura do ódio e repressão que tem levado o partido do regime a exaurir-se devido aos ciclos de violência endógena e exógena que tem vivido desde os tempos em que era apenas movimento de libertação.

Nos seus primórdios nos maquis, vezes sem conta defenestrou militantes seus em processos de autofagia. Um exemplo foi o processo de fraccionamento que acabou por resultar na chamada Revolta do Leste, que envolveu o nacionalista Júlio Chipenda.

Mais exemplos: as atrocidades contra Gentil Viana e outros membros afectos à chamada Revolta Activa; o desprezo e marginalização das famílias Mário Pinto de Andrade e Viriato da Cruz; e, finalmente, o trágico e nefasto contencioso de divergências intestinas que conduziu ao genocídio de 27 de Maio de 1977.

Realmente, assim tem sido o MPLA!

Em 1996, morava eu no “prestigiado” Bairro de Alvalade, em Luanda, num apartamento do edifício adjacente às instalações da OMA. Num belo dia, depois do Despacho Presidencial que dava por finda a comissão de serviço do então Primeiro-Ministro de Angola, Dr. Marcolino José Carlos Moco, o Secretariado Nacional da OMA ficou em pouco tempo apinhado de senhoras, uniformizadas a rigor, que depois se juntaram a uma caravana da JMPLA e do Movimento Nacional Espontâneo, todos envolvidos numa marcha de apoio à exoneração do Primeiro-Ministro, um cidadão honrado e patriota, político e tecnocrata de créditos firmados.

Seguindo um roteiro bem definido e concertado, a marcha culminou defronte à residência do visado. As palavras de ordem e slogans em tons musculados e exaltados que se ouviam, consistiam em insultos de baixo coturno, mas sobretudo de índole tribal.

Palavras e expressões tais como “bailundo fora”, “kwacha fora”, “UNITA fora” eram as mais repetidas. Por esse calvário e humilhação passaram o Dr. Marcolino Moco e a sua família.

Nesta lógica de fazer política na base da ideologia do ódio, o pico da insanidade em tempos de paz atingiu o clímax quando o MPLA encetou diligências desumanas em proporções inaceitáveis contra aquele que era o seu próprio “presidente emérito”, José Eduardo Dos Santos, tendo-lhe provocado depressão até ao leito da morte.

O furacão do ódio que comanda o regime não poupou, inclusive, a sua família nuclear, amigos e colaboradores mais próximos.

Mas engana-se quem pensar que a matriz ideológica de ódio e repressão do regime esgota-se por entre os seus muros internos. Aplica-se a tudo e todos que a tentam contrariar.

Na sua luta inglória de querer reduzir a UNITA a um grupo étnico – a dos ovimbundu -, usa com total desprezo e instrumentaliza individualidades desta origem e povos situados à margem sul do rio kwanza, pejorativamente designados por sulanos, para que prestem serviços sujos contra os seus próprios irmãos.

Na verdade, o regime usa-os como idiotas uteis; porquanto são eles que dão o rosto e assumem as rédeas da defesa do sistema na mobilização do voto em períodos eleitorais, na desinformação e assassinato de carácter dos seus conterrâneos filiados na UNITA e na sociedade civil.

Sem escrúpulos e despidos de sentimentos de remorso, os indivíduos em causa não olham a meios para atacar a honra e a dignidade até de parentes seus, desde que os mesmos tenham ideias contrárias ao sistema instalado.

Deambulam e se desdobram nas rádios, televisões, redes sociais, gabinetes de acção psicológica e outros, com a missão única de difamar, caluniar e agredir qualquer um que ouse não acatar a prática e os ditames da “grande e superior corporação”.

Nesta senda, o regime oligárquico identificou bem os alvos a abater. Para variar, o trabalho sujo também usa os bacongos inseridos no regime para ostracizar e estilhaçar outros cidadãos da mesma etnia que se identificam com a oposição.

A mesma fórmula é aplicada aos angolanos de outros grupos étnicos, nomeadamente lundastchokwes, luvales, bundas, nganguelas, kwanhamas, quimbundos ou ambundos, ibindas, bakongos e outros povos, cujas nações fazem parte de um mosaico mais amplo que se chama Angola.

A presente reflexão é suscitada pelos sucessivos acontecimentos de intolerância política, protagonizados pelo regime de variadas formas, contra a UNITA e o seu líder. De 2019 até ao momento, o MPLA elaborou um programa que designou de “combate até à exaustão”.

Este combate tem sido levado a cabo da forma mais degradante e miserável por via dos tribunais, bloqueio à imprensa, assassinato de carácter, bloqueio de contas bancárias, comunicados apócrifos elaborados a partir do Bureau Político do MPLA ou do Gabinete de Acção Psicológica afecto à Presidência da República.

Um dos últimos momentos dessa estratégia verificou-se no passado dia 17 de Julho na Assembleia Nacional, quando, no cumprimento da ordem do sistema para atingir o seu conterrâneo, ou seja, um compatriota da mesma orla geográfica e que muito bem conhece, Reis Júnior, nas vestes de presidente do Grupo Parlamentar do MPLA, atacou o Presidente Adalberto Costa Júnior e a UNITA com todo o tipo de insultos e ofensas morais.

Domado pelas ordens superiores e com o ódio à flor da pele, o chefe da Bancada Parlamentar do MPLA parecia um leão faminto pronto a devorar o ACJ e a UNITA.

Mas, na senda de que a mentira tem pernas curtas e a verdade vem sempre ao de cima, Reis Júnior foi prontamente desmentido e denunciado pelo Grupo Parlamentar da UNITA, expondo-o ao ridículo.

Em resumo, o ódio não constrói. O ódio apenas e só destrói. Está provado que a cultura de ódio implantada pelo regime nos seus 50 anos de poder apenas deu os resultados negativos que os angolanos estão a viver.

Por esta razão, a UNITA e os cidadãos de bem devem trabalhar no sentido de desconstruir o fenómeno em causa através do diálogo sincero e verdadeiro, buscando soluções pacíficas. É importante promover a tolerância, o respeito e a diversidade, combatendo todas as formas de discriminação e preconceito.

O amor e a empatia são ferramentas poderosas que devemos abraçar e usar no combate ao ódio, pois permitem a consciencialização, reconciliação e a construção de uma sociedade mais harmoniosa.

Para o efeito, só apostando na UNITA e no seu Líder Adalberto Costa Júnior é que estaremos em condições de concretizar este desiderato maior.

*Deputado à Assembleia Nacional

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