
A morte de um menor, 33 feridos, dos quais 16 polícias e 17 civis, 18 detidos, furtos e vandalização de bens públicos e privados ocorrido na Avenida Deolinda Rodrigues, em Luanda, marcaram o último adeus do kudurista Gelson Caio Mendes, ou melhor, Nagrelha, sepultado hoje, terça-feira, 22, no Cemitério da Santa Ana, em Luanda.
O cortejo fúnebre partiu do Estádio da Cidadela Desportiva, onde pessoas de vários extractos sociais, desde mães com crianças às costas, jovens, adultos e crianças, fizeram-se presente, e tomou contornos diferentes logo após a chegada do corpo ao cemitério da Santa Ana.
Lamentavelmente, um menor – cuja identidade é desconhecida até ao momento – perdeu a vida, como ilustra a imagem, no momento em que o corpo do kudurista chegava ao cemitério. A vítima foi pisoteada pela multidão que esteve no local, enquanto o corpo entrava ao cemitério.
Face ao acto de vandalismo e arruaça perpectados pelos cidadãos, a polícia foi obrigada a usar da força para dispersar a multidão que impedia com que o carro fúnebre se fizesse ao interior do cemitério.
Granadas de efeito moral e balas de borrachas foram disparadas pelos agentes da polícia, que procuravam manter o cordão de segurança ao longo da Avenida Deolinda Rodrigues, que foi interditada desde as primeiras horas do dia de hoje.
Carros depredados, motos queimadas, assaltos em lojas e desmaios de jovens e crianças, marcaram o último adeus a um dos mais emblemáticos kudurista nacional.
Enquanto decorria o acto de sepultamento de Nagrelha no interior do cemitério, sons de disparos de arma ouvia-se do exterior, onde a polícia procurava dispersar a multidão que a todo custo procurava invadir o campo santo.

Os mais de 800 efectivos disponibilizados para garantir a segurança da população, foram reforçados pela Polícia de Intervenção Rápida (PIR), no intuito de dispersar a multidão que se refugiou na zona do bairro Popular e Rangel, tendo estes ateado fogo em pneus e contentores ao longo da via pública.
Nagrelha morreu aos 36 anos, na última sexta-feira, no Complexo Hospitalar Cardiovascular D. Alexandre do Nascimento, vítima de cancro no pulmão, tendo começado o tratamento em Portugal, dando sequência, em Angola, mas acabou por não resistir.