A queda do intocável – Jorge Eurico
A queda do intocável - Jorge Eurico
Joel TS

Caiu. Ruiu. Desmoronou-se. O presidente do Tribunal Supremo não resistiu ao peso da sua própria arrogância. Joel Leonardo deixou atrás de si um rasto de abusos. Mandava. Desmandava.

Usava a toga como arma. Expulsou compulsivamente a juíza Joaquina do Nascimento. Alegou incapacidade. A visada não se dobrou. Impugnou. Lutou. Resistiu. O caso chocou a magistratura e a sociedade.

Atropelou o meu amigo juiz Agostinho Santos. O tribunal ordenou a sua reintegração. Ele ignorou. Impediu-o de trabalhar. Retirou-lhe a dignidade.

O magistrado entrou em depressão. Não resistiu. A violação de normas internas tornou-se evidente para todos que acompanharam o processo. Frequentava o Palácio da Cidade Alta como súbdito fiel. Procurava ordens. Executava. A Constituição ficava para trás.

Impedimentos médicos. Procrastinações calculadas. Pressões sobre prisioneiros. Augusto Tomás que o diga. Recuperava da Covid. Tinha direito à liberdade condicional. Joel Leonardo inventou mandados. Trancou-o com homicidas e assaltantes. Para humilhar. Registos públicos documentam o constrangimento e o atraso na Justiça.

Hoje, o intocável está isolado. Caiu em desgraça. Os mesmos que serviu vão triturá-lo. Vai provar do veneno que ele próprio destilou. O poder é efémero. A toga não é manto de impunidade. Quem pisa gelo fino, acaba no abismo.

Joel Leonardo é o exemplo acabado da efemeridade do poder. Ontem tinha tudo. Hoje não tem nada. Foi senhor absoluto. Agora não manda sobre si mesmo.

A sua queda ensina uma lição simples: Não se abusa do poder sem pagar o preço. Quem transforma a Justiça em arma política acaba vítima da própria armadilha.

Agora vai ter de engolir o trago amargo da sua arrogância. O mesmo fel que serviu aos outros. Joel Leonardo caiu. Acreditou ser intocável.

Reduzido ao pó da própria soberba. Fez da toga um chicote. Agora vai ser réu do seu próprio pecado. O veneno que serviu aos outros vai engolir sozinho.

*Jornalista

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