
Um grupo de funcionários recentemente admitidos no Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF) denuncia dificuldades e frustração devido ao atraso no enquadramento no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE), o que os impede de receber salários desde o início das funções.
Segundo relatos anónimos recolhidos pelo Imparcial Press, o processo de recrutamento iniciou-se em Maio de 2024, tendo a outorga oficial acontecido apenas em 13 de Maio de 2025, através da Escola de Administração e Politicas Públicas (ENAPP) e do MINAGRIF.
Contudo, passados quatro meses desde a colocação em funções, os funcionários continuam sem remuneração.
De acordo com os novos funcionários, muitos tiveram de abandonar atividades informais para assumir os cargos públicos e hoje enfrentam sérias dificuldades de subsistência, agravadas pelo facto de alguns terem sido deslocados para províncias distantes das suas residências.
“É uma vergonha o que está a acontecer. Muitos colegas estão a passar fome e não conseguem sustentar as suas famílias. O pior é que não há informações oficiais sobre quando a situação será resolvida”, lamenta uma das fontes.
As críticas vão desde a ausência de um cronograma de actividades, passando pela comunicação deficiente, feita apenas de forma oficiosa, até à alegada insensibilidade dos Recursos Humanos, que justificam o atraso comparando-o com situações do passado. A crescente desmotivação tem levado alguns admitidos a procurar outros concursos.
Os funcionários recordam que processos semelhantes, realizados no mesmo período em outros órgãos do Estado, tiveram maior celeridade. Citam, como exemplo, a Agência de Protecção de Dados (APD), cujo concurso iniciou em Maio de 2024, com os funcionários já a receber salários; as Administrações Municipais da Huíla, com concurso iniciado em Julho de 2024 e em plena normalidade salarial; e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que em Maio de 2025 recrutou 400 candidatos, todos já integrados e remunerados.
Os denunciantes questionam as razões do atraso e cobram maior transparência do MINAGRIF. “Angola é de todos, não há cidadãos de segunda. Queremos apenas que esta situação seja resolvida ainda este mês para podermos trabalhar com dignidade”, sublinha a fonte.
Até ao momento, o MINAGRIF não se pronunciou oficialmente sobre o atraso no enquadramento dos 442 novos funcionários.