Subinspetor da Polícia denuncia perseguição de colegas após desmantelar grupo criminoso em Luanda
Subinspetor da Polícia denuncia perseguição de colegas após desmantelar grupo criminoso em Luanda
mateus

O subinspetor da Polícia Nacional Mateus Xinganeca do Rosário, 40 anos, NIP 078700, actualmente colocado na Direcção de Informações Policiais do Comando Geral da Polícia Nacional, denunciou às autoridades estar a ser alvo de perseguições, ameaças e sistemáticas violações dos seus direitos, sem que os superiores hierárquicos ou o SIC Luanda tenham dado resposta às suas queixas.

Segundo o oficial, há mais de três anos enfrenta acusações infundadas, sem direito ao contraditório. Recorda que, em 2021, no exercício da função de Chefe de Brigada de Informações Policiais da Esquadra do Zango 4, investigou e desmantelou o grupo criminoso denominado “Barcelonas de Cacuaco”, que actuava em armazéns, estaleiros de cidadãos chineses e outros pontos de Luanda.

Na operação, com apoio de uma fonte identificada como Chuck (já falecido), foram detidos quatro elementos, um deles em posse de arma de fogo, nos bairros Kitondo 2 e Kapalanga.

Todos os passos foram comunicados ao então comandante da Esquadra do Zango 4, inspector-chefe Feijó Neto (também já falecido), ao representante do SIC local, inspector Walter Matias, e ao director municipal, inspector-chefe Rui Kusselama.

Pouco depois, começou a receber ameaças, inclusive com o registo do seu número de telefone (928404588) em livro de ocorrências, sem qualquer resposta das chefias. A perseguição levou-o a abandonar temporariamente o país, circulando por 16 países africanos até se fixar na Itália.

Acusações internas e rivalidades

Mateus regressou a Angola disposto a esclarecer a sua situação, mas logo surgiram rumores de que fornecia armas a marginais e estaria envolvido em homicídios ocorridos nos Zangos há mais de dez anos. O subinspetor rejeita as acusações, afirmando serem fruto de rivalidades internas e motivações laborais.

Cita ainda a sua participação em operações da 46.ª Esquadra de Luanda Sul, sob comando do inspector João Manuel “Joãozinho”, com a presença dos colegas Medeiros “2M”, Mendes Gonçalves Lendela, Walter Matias, Alberto Betango, Manuel Nicolau e outros.

Segundo relata, a missão foi interrompida abruptamente pelo chefe, o que resultou na perda de viaturas e armas que deveriam ser recuperadas.

Após expor os factos, começou a receber ameaças de morte de colegas ligados ao SIC, que lhe disseram que “se metia onde não devia”.

Comunicou de imediato ao seu chefe municipal, intendente Manuel Chico Caxibo, e ao director municipal de Investigação Criminal, superintendente-chefe Santos, indicando os nomes dos envolvidos.

A situação também foi reportada à Direcção Provincial do SIC Luanda, através do responsável Noé da Rosa, que terá orientado a abertura de uma participação formal.

Temor de execução sumária

Temendo pela própria vida, Mateus refugiou-se na província da Huíla, onde voltou a prestar declarações ao SIC e ao SINSE. No entanto, denuncia que, na quinta-feira, 18 de Setembro, alguns agentes ligados ao SIC Luanda, numa viatura de serviço, deslocaram-se à residência da sua irmã para fotografar a casa, anexos e o bar da família.

Conhecendo o modus operandi da corporação, Mateus interpreta o acto como uma mensagem de intimidação e alerta que pode estar em risco de “eliminação física a qualquer momento”.

O subinspetor reafirma estar disponível para colaborar com as autoridades e exige protecção institucional, pedindo ainda que sejam investigadas as alegadas irregularidades cometidas por colegas e superiores mencionados.

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