Presidente interina do TS exonera chefe de Recursos Humanos do CSMJ – Érica Peixoto responderá às acusações que lhe são imputadas
Presidente interina do TS exonera chefe de Recursos Humanos do CSMJ – Érica Peixoto responderá às acusações que lhe são imputadas
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A presidente interina do Tribunal Supremo e do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), juíza conselheira Efigénia Mariquinha dos Santos Lima Clemente, notificou, na semana passada, a responsável do Departamento de Recursos Humanos do CSMJ, Érica Otávio Peixoto, sobre a sua exoneração, que deverá ser formalizada ainda esta semana, soube o Imparcial Press.

Érica Peixoto, apontada como figura próxima do ex-presidente do Tribunal Supremo, juiz jubilado Joel Leonardo, é acusada de várias irregularidades durante a gestão do magistrado, de quem tem um filho de dois anos.

Segundo denúncias recebidas pelo Imparcial Press, a responsável terá liderado um esquema de venda de vagas de ingresso nos tribunais comuns, com valores supostamente fixados por classe: 1 milhão de kwanzas para escrivães de 3.ª classe e 600 mil kwanzas para oficiais de diligências.

Peixoto é ainda acusada de ter realizado transferências abusivas de funcionários judiciais, entre os quais João Apolinário, antigo responsável de Transportes do CSMJ, e Pedro António, actualmente juiz, além de retirar, de forma arbitrária, nomes da folha salarial, incluindo da juíza desembargadora Odete Epanga e do funcionário Raimundo José.

Funcionários exigem investigação interna

No último domingo, um grupo de trabalhadores do Tribunal Supremo enviou uma exposição à presidente interina, exigindo a abertura de uma investigação às alegadas nomeações, promoções e transferências irregulares realizadas durante a gestão de Joel Leonardo.

Segundo a denúncia, mais de 1.500 funcionários terão sido admitidos ou promovidos ilegalmente, com apoio de técnicos do SIGFE, que teriam manipulado o sistema para inserir nomes de favorecidos com categorias de topo, sem concurso público ou experiência compatível.

Entre os beneficiados estariam familiares de Joel Leonardo, de Érica Peixoto e do advogado Carlos Salombongo, que também é acusado de ter colocado parentes em cargos de chefia.

Outros nomes mencionados são Edna, alegadamente responsável pela inserção de funcionários fantasmas, bem como colaboradores dos Recursos Humanos (Kainara, Janice, Juliano e Lourdes), acusados de favorecer familiares próximos em detrimento de trabalhadores mais antigos.

Na carta dirigida a presidente interina do Tribunal Supremo, os funcionários apelam a uma inspecção rigorosa de todos os actos administrativos dos últimos anos, sublinhando que “a gestão dos Recursos Humanos tornou-se o epicentro da corrupção nos tribunais”.

Os subscritores exigem a responsabilização da equipa de Recursos Humanos e defendem que a instituição deve ser urgentemente resgatada da “captura por interesses privados” para recuperar a legalidade e a credibilidade.

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