A juventude não pode viver de fichas – Nelson Kalenga
A juventude não pode viver de fichas - Nelson Kalenga
Nelson Kalenga

A juventude angolana carrega, hoje, um fardo pesado: a perda da esperança. As portas das oportunidades fecharam-se, o desemprego alastra-se como uma praga e o futuro parece cada vez mais distante.

Diante deste cenário, muitos jovens têm procurado refúgio nas casas de apostas, onde acreditam encontrar uma saída. Mas o que encontram, na verdade, é uma falsa esperança, um círculo vicioso que os aprisiona ainda mais.

Os jogos de azar vendem ilusões. Prometem riqueza rápida e acessível, mas entregam ansiedade, frustração e dependência. Tornam-se uma droga social, capaz de viciar mentes e sufocar sonhos.

Ao mesmo tempo, o Estado mostra-se incapaz de oferecer alternativas reais: programas de emprego que funcionem, políticas públicas que abranjam a juventude ou estratégias que devolvam a dignidade perdida.

É triste reconhecer que, para muitos jovens, nomes como Premier Bet, Ango Foot, Bantu e outras casas de jogo se tornaram mais familiares do que editais de concursos públicos, programas de bolsas de estudo ou oportunidades de formação profissional.

É como se a esperança tivesse mudado de endereço, abandonando o país e instalando-se nos balcões das apostas.

Mas será este o destino que aceitaremos para a nossa juventude? A resposta deve ser um sonoro não. A esperança de um povo não pode depender da sorte.

Ela precisa nascer do trabalho, da educação de qualidade, do empreendedorismo, do talento e da criatividade que sempre caracterizaram a juventude angolana.

É urgente mudar essa realidade. Se queremos uma Angola próspera, precisamos devolver aos jovens a confiança no futuro. Não podemos permitir que sejam feitos reféns da ilusão.

Somos todos filhos desta terra, e é responsabilidade colectiva construir um país onde a esperança não seja jogada nos dados, mas plantada nas oportunidades concretas que cada jovem merece.

A juventude não pode viver de fichas. Precisa viver de sonhos reais, sustentados por políticas sérias e um compromisso firme com o desenvolvimento. Só assim Angola poderá resgatar a sua maior riqueza: o potencial da sua própria juventude.

Um brínde à vida!

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