
Angola vai tornar-se no primeiro país africano a explorar nióbio, um dos minerais mais valiosos e estratégicos da indústria aeroespacial, após a conclusão, este ano, dos trabalhos de prospecção realizados na aldeia da Bonga, município de Quilengues, província da Huíla.
A fase de exploração deverá arrancar no final de 2025, logo após o término do processo de realojamento e indemnização das mais de 400 famílias residentes na área de concessão, informou o administrador municipal de Quilengues, Adriano Alberto Pedro.
Os trabalhos de prospecção, conduzidos pela operadora chinesa Niobonga, resultaram na extração de 40 mil toneladas do minério e envolveram um investimento total de 150 milhões de dólares norte-americanos.
Em declarações à imprensa, na cidade do Lubango, Adriano Pedro afirmou que “a exploração do nióbio colocará Quilengues como uma nova referência económica nacional e posicionará Angola no restrito grupo de países do mundo que produzem este mineral raro e de elevado valor tecnológico”.
Segundo o responsável, todos os equipamentos e meios técnicos encontram-se já instalados na zona da Bonga, estando igualmente garantida a força de trabalho qualificada. A concessão cobre cerca de 400 quilómetros quadrados, abrangendo as serras da Bonga e da Chivila.
O contrato de exploração foi celebrado por 22 anos, renováveis, podendo alcançar até quatro décadas de operação contínua. Ensaios preliminares confirmaram a alta qualidade do minério, abrindo caminho para o início da produção ainda este ano. Além do nióbio, a área apresenta potencial para a extração de fosfato e ferro.
A exploração deverá gerar centenas de empregos diretos e indiretos, novas receitas fiscais para o Estado e dinamizar sectores complementares como o comércio, transporte e prestação de serviços.
No quadro da responsabilidade social, a Niobonga comprometeu-se a apoiar projectos estruturantes nas comunidades locais, com prioridade para os sectores da educação, saúde, abastecimento de água e reabilitação de estradas.
O administrador municipal explicou ainda que o processo de realojamento, embora considerado um dos maiores desafios do projecto, está na fase final, com mais de 400 famílias já compensadas — cada uma com dois milhões de kwanzas.
“O município de Quilengues está prestes a ganhar uma centralidade económica de relevo, não apenas para a Huíla, mas para todo o país”, sublinhou Adriano Pedro.
Mineral estratégico e raro
De acordo com especialistas, o nióbio é um metal crítico e estratégico utilizado na indústria aeroespacial, na fabricação de turbinas, naves espaciais, aviões, centrais elétricas e em componentes eletrónicos de alta performance.
A sua principal característica é a elevada resistência a temperaturas extremas, o que o torna essencial para a produção de ligas metálicas de alta resistência e supercondutores usados em setores de ponta.
Atualmente, o Brasil domina o mercado mundial, detendo mais de 98% das reservas conhecidas e lavráveis, o que equivale a 93% da produção global.
O Canadá e a Austrália ocupam o segundo e terceiro lugares, com reservas e produções mais modestas.
Além de Angola, outros países com potencial geológico identificado incluem a Rússia, Arábia Saudita, República Democrática do Congo, Nigéria, Etiópia e Moçambique, embora nenhum destes tenha ainda iniciado exploração efetiva.
O município de Quilengues, localizado a 143 quilómetros a norte do Lubango, conta com cerca de 102 mil habitantes e prepara-se agora para acolher aquele que promete ser um dos maiores projectos mineiros do sul de Angola.