Emirates suspende emissão de bilhetes em Moçambique devido à escassez de divisas
Emirates suspende emissão de bilhetes em Moçambique devido à escassez de divisas
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A companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, suspendeu temporariamente a emissão de bilhetes em Moçambique, devido à grave escassez de divisas estrangeiras no país, confirmaram fontes do Imparcial Press.

A decisão, segundo fontes próximas do sector financeiro, deve-se à impossibilidade das companhias internacionais converterem as receitas obtidas em meticais para dólares norte-americanos, moeda essencial para o repatriamento de lucros e pagamento de fornecedores externos.

As transportadoras aéreas estrangeiras vendem bilhetes localmente em moeda nacional, mas dependem do Banco de Moçambique para adquirir dólares.

Com as restrições impostas pelo banco central, o dinheiro arrecadado pelas companhias acaba por ficar “preso” no sistema financeiro, sem possibilidade de transferência para o exterior.

“É uma forma de proteger-se de um risco crescente de iliquidez. A Emirates prefere suspender vendas locais do que acumular fundos que não consegue converter”, explicou uma fonte bancária.

A situação revela desequilíbrios graves na balança de pagamentos e uma queda acentuada nas reservas cambiais do país.

O Banco de Moçambique tem priorizado a alocação de divisas para importações consideradas essenciais, como combustíveis e medicamentos, limitando o acesso de empresas privadas e multinacionais.

Analistas ouvidos pelo Imparcial Press afirmam que o banco central tenta “controlar a percepção pública”, evitando reconhecer abertamente a falta de dólares para “não admitir perda de controlo monetário”.

No entanto, na prática, o congelamento do mercado oficial tem impulsionado o mercado paralelo de divisas, onde a cotação do dólar ultrapassa amplamente a taxa oficial.

“O banco sabe que o mercado negro existe e até o tolera indiretamente, mas prefere negar para evitar pânico e fuga de capitais”, referiu a mesma fonte.

Além das companhias aéreas, outras empresas estrangeiras começam a manifestar preocupação com as restrições cambiais. Há o risco de multinacionais suspenderem operações ou repatriarem parte das suas equipas caso a situação se prolongue.

Em paralelo, Moçambique enfrenta controlo apertado sobre transações financeiras internacionais, incluindo a proibição de investimentos em criptomoedas e plataformas de forex.

Usuários de cartões bancários nacionais também relatam bloqueios em pagamentos online e limitações severas em levantamentos no exterior.

“Quem estuda ou vive fora do país só pode levantar 40 euros por dia. Imagine alguém que precisa pagar renda de casa, são precisos dias para juntar o valor”, relatou um estudante moçambicano em Lisboa.

Economistas locais consideram que a escassez de dólares é apenas o reflexo de anos de má gestão, corrupção e concentração de riqueza nas elites políticas e económicas, que mantêm acesso privilegiado a moeda estrangeira e bens de luxo, enquanto a maioria da população enfrenta uma crise silenciosa.

“Moçambique vive uma economia de duas velocidades: uma minoria ligada ao poder que prospera e uma maioria empobrecida que carrega o custo da instabilidade”, concluiu uma fonte académica.

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