O rodízio da incompetência – Jorge Eurico
O rodízio da incompetência - Jorge Eurico
Jlo98

Aconteceu. Sem querer querendo. Tropecei num reel. Abel Chivukuvuku dizia à RTP-Africa: “A governação angolana carece de qualidade.” Não é inverdade. Abel Chivukuvuku tem razão.

O Executivo angolano está cheio de auxiliares inúteis. Muitos deles constituem um problema e não solução para os vários problemas com os quais o País se debate. São inaptos. Incapazes desde manhã até à noite. Incapazes de prever. Precatar. Criar.

Nem com os olhos secos ou molhados. Já mostraram incompetência antes. Currículo: Destruição do País. Abusos. Esbulhos. Gestão danosa da Coisa Pública. Exoneram-nos de um cargo, colocam-nos noutro. É a rotatividade da incompetência. O rodízio dos incapazes. Job for the boys.

Os jovens que entram no viveiro de quadros do partido no poder já conhecem a fórmula: Estar no partido é seguro de emprego vitalício.

O MPLA parece mais uma agência de empregos do que um partido político. Um trampolim para oportunidades de toda a sorte. O mais importante é estar no partido. Não importa ideologia. Muito menos patriotismo.

O essencial deixou de ser resolver os problemas do povo. Pobre Agostinho Neto, traído como Judas traiu Cristo. O seu legado ignorado com sucesso. Os seus ensinamentos traídos.

As palavras de ordem levadas pelo vento da indiferença e da irresponsabilidade política. A decadência moral do Estado floresce sem contestação.

A meritocracia foi morta. Enterrada. O clientelismo político vive. Prospera. Recomenda-se aos oportunistas e bajuladores. As instituições do Estado estão esvaziadas de valores.

A confusão entre partido e Estado mantém-se. O partido-Estado, formalmente extinto há mais de trinta anos, continua informalmente de pedra e cal. Tudo passa pelo partido no poder. Até assuntos da magistratura da Justiça.

Também eu digo: A governação angolana não tem qualidade. Tem fachada. Tem discurso. Tem pose. Mas não tem resultados. O País vive de planos que planeiam nada. Projectos que nunca saem do PowerPoint.

Ministros confundem inauguração com trabalho. Estradas prometidas há anos permanecem no papel. O mérito está exilado. Escondido entre burocracias e favores.

A lealdade virou currículo. Quem aplaude sobe. Quem pensa cai. O Estado tornou-se condomínio privado: Partidário. Opaco. Útil para poucos. Cofres públicos = contas privadas. Roubar é rotina. Punir é exceção.

A economia é refém do poder político. Produz pouco. Importa tudo. Ricos esperam contratos. Pobres sobrevivem e calam-se. O sector agrícola continua esquecido, apesar das promessas. A pobreza é o único sector produtivo do País.

O resto são promessas com prazo de mentira. O Governo fala de eficiência. Mas governa com improviso. Fala de futuro. Mas vive de slogans. O cidadão paga impostos de País sério. Recebe serviços de colónia mal administrada.

Não falta talento no País. Falta critério. Falta vergonha. Angola não precisa de mais discursos. Precisa de Governo. O País está como se não tivesse Governo. O Executivo precisa de gente que saiba o que faz. E faça o que diz.

Até lá: Entre o gerador e a cisterna. Entre o luxo do poder e o lixo das ruas. Uma governação que tem tudo… menos qualidade técnica. Política e intelectual.

Desilusão patriótica!

*Jornalista

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