
O antigo secretário-geral da UNITA, general Armindo Lucas Paulo Lukamba “Gato”, manifestou esta quinta-feira profundo pesar pela morte do antigo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, sublinhando o seu papel central na história política de Angola e reconhecendo-o como uma das figuras com maior experiência acumulada na gestão do Estado angolano em contexto multipartidário.
Em mensagem de condolências, Lukamba Gato afirmou ter recebido a notícia “com espanto e profunda consternação”, destacando que Nandó foi, entre os dirigentes angolanos, “a figura que acumulou maior e mais consistente experiência na gestão de um Estado multipartidário”, atravessando com protagonismo várias fases decisivas da história política do país.
O dirigente da UNITA recordou que, durante o período do monopartidarismo, Nandó se destacou como um dos principais arquitetos do aparelho policial do Estado, enquanto vice-ministro do Interior.
No contexto da implementação do Acordo de Bicesse, o também ex-deputado à Assembleia Nacional sublinhou ainda a experiência de trabalho conjunto com Fernando da Piedade Dias dos Santos, quando ambos exerceram funções como chefes adjuntos da Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM) e responsáveis pela Comissão de Assuntos Políticos, num dos momentos mais sensíveis da história recente de Angola.
Lukamba Gato recordou igualmente o percurso posterior de Nandó, como coordenador da Comissão Interministerial para o Acordo de Paz resultante do Acordo de Luena, primeiro-ministro, vice-presidente da República e, mais tarde, presidente da Assembleia Nacional, cargo que exerceu ao longo de três legislaturas consecutivas.
Para o antigo secretário-geral da UNITA, “com justiça se pode afirmar que Fernando da Piedade Dias dos Santos foi, até à sua morte, o angolano que durante cerca de 50 anos exerceu praticamente todas as mais altas e relevantes funções do Estado, com exceção do cargo de Presidente da República”.
Na sua mensagem, o general salientou ainda a capacidade de Nandó para compreender a necessidade de equilíbrios próprios no sistema político angolano, ajustados à realidade sociocultural e política do país, bem como o seu perfil comunicativo e a facilidade em construir consensos.
“Foi um adversário político a quem sempre reconheci mérito, profundo conhecimento e domínio do funcionamento do aparelho do Estado, que serviu com lealdade e sentido de missão”, afirmou, concluindo que “Angola perde um dos seus pilares estruturantes”.
Higino Carneiro, general na reserva e histórico dirigente do MPLA, reagiu à morte de Nandó com uma mensagem de forte carga emocional, descrevendo-o como “um homem de fibra, um camarada e nacionalista convicto, que enfrentou de frente os entraves da paz até alcançarmos, em definitivo, a sua concretização”.
Para Higino Carneiro, Nandó foi “um homem plural, no seu modo de ser e de estar” e “um conciliador nato”.
O dirigente revelou ainda que manteve contacto recente com o antigo presidente da Assembleia Nacional. “Recentemente ligou-me; conversámos, e tudo parecia estar bem. Deus e os seus mistérios”, escreveu, numa nota marcada pela comoção.
Na mesma mensagem, Higino Carneiro afirmou que Angola perde “um ilustre filho, de quem se orgulha por o ter gerado”, considerando Nandó “um herói dos nossos tempos” e “um dos melhores – senão mesmo o melhor – político da minha geração”.
“A Nação chora a partida de um patriota; e eu choro um amigo e companheiro de longa data, de quase 40 anos”, acrescentou, concluindo com uma despedida sentida: “Vá em paz, camarada Fernando da Piedade Dias dos Santos. Encontre a luz, camarada ‘Nandó’, e clame a bênção de Deus por essa nossa Angola, esse nosso eterno solo pátrio”.
Também o Executivo angolano reagiu ao falecimento de Fernando da Piedade Dias dos Santos, destacando, em comunicado oficial, a sua dimensão de nacionalista e homem de Estado.
O Governo lembrou o vasto percurso do malogrado, que serviu o país como ministro do Interior, primeiro-ministro, vice-presidente da República e presidente da Assembleia Nacional, entre outros cargos de elevada responsabilidade.
No mesmo comunicado, o Executivo da República de Angola endereçou à família enlutada “as mais profundas condolências”, sublinhando o respeito e a consideração pela figura de Fernando da Piedade Dias dos Santos, falecido vítima de doença.