
A província da Huíla enfrenta, há dois dias, uma crise de abastecimento de gasolina, marcada por longas filas nos postos ainda em funcionamento, algumas com quase um quilómetro de extensão, agravando os transtornos para a população.
A escassez surge poucas semanas após dificuldades no fornecimento de gás de cozinha e já provoca impactos significativos no quotidiano, sobretudo no transporte público.
Vários táxis encontram-se imobilizados por falta de combustível, enquanto outros reduziram os percursos, aumentando a pressão sobre os autocarros, que se tornaram a principal alternativa para os passageiros.
Nas principais vias da cidade do Lubango, capital provincial, multiplicam-se as filas e o desespero dos utentes, com reflexos visíveis nas paragens de táxis, onde a oferta de transporte diminuiu consideravelmente.
Contactada pela imprensa, a direcção regional sul da Sonangol não prestou esclarecimentos imediatos, encaminhando os pedidos de informação para o gabinete central de comunicação, em Luanda.
No entanto, uma fonte ligada ao departamento de logística na Zona Industrial do Lubango admitiu que o actual stock está sob “gestão cuidada”, devido a atrasos na atracagem de navios-tanque no Porto do Namibe.
Segundo a mesma fonte, a maior parte da gasolina consumida na província continua a ser importada, podendo a actual instabilidade no Médio Oriente estar a contribuir para perturbações na cadeia de abastecimento.
A escassez de combustíveis na Huíla é um problema recorrente, particularmente no Lubango e em municípios como a Matala, geralmente associado a constrangimentos logísticos na chegada de navios ao Porto do Namibe, frequentemente afectados por condições meteorológicas adversas.
Com uma quota estimada de 5,7% do consumo nacional, a província é um dos principais centros de consumo de combustíveis do país. Parte significativa do abastecimento é assegurada pelo Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que transporta os derivados petrolíferos desde o litoral até ao interior.
A Huíla dispõe de uma capacidade de armazenamento de cerca de 50 milhões de litros na Zona Industrial do Lubango e conta com aproximadamente 54 postos de abastecimento, funcionando também como plataforma de distribuição para regiões vizinhas.
A actual crise volta a expor a vulnerabilidade do sistema logístico de combustíveis no sul do país, num contexto em que a Huíla, a par de Luanda, Benguela, Huambo e Cabinda, representa cerca de 85% do consumo nacional.