Governo angolano é cúmplice da violência sexual contra menores? – Evalina Ding’s
Governo angolano é cúmplice da violência sexual contra menores? - Evalina Ding's
belma

É revoltante, mas é uma realidade nua e crua. Em Angola, levantar a voz contra a violência sexual é crime. É tão perigoso como ser militante da UNITA. Talvez porque alguns “papoites” do Governo também de chupar e apertar as mangas e os “maboques”.

Neste sábado, mais de uma centena de jovens angolanos foram violentamente impedidos pela Polícia Nacional de realizar uma simples marcha pacífica, no São Paulo, organizada pela sociedade civil para repudiar os crimes sexuais cometidos contra mulheres, particularmente contra menores.

Foi um terror que nem em Venezuela. Tiros e gases lacrimogênios foram disparadas. Houve pessoas que apanharam porretes do escorno. Uma confusão vergonhosa jamais vista.

Entre os casos recentes, destaca-se o horrível “Caso Belma”, ocorrido no bairro Luanda Sul, município de Viana, onde a jovem de apenas 15 anos foi brutalmente agredida por dois psicopatas, já detidos pelas autoridades. E, no entanto, em vez de apoiar os protestos, o governo optou por combater aqueles que exigem justiça, sem qualquer justificação plausível.

A marcha, que pretendia apenas gritar bem alto “BASTA à Violência e Agressão Sexual contra Indefesas”, foi impedida, enquanto alguns agressores sexuais continuam soltos por juízes sem escrúpulos. Sinceramente!

Nos últimos meses, a imprensa angolana trouxe à tona centenas de casos de abuso sexual em todo o território nacional, onde a maioria das vítimas sofreu agressões físicas e sexuais, muitas vezes com a intimidade exposta nas redes sociais pelos próprios agressores.

O SIC prende, mas os juízes e procuradores soltam, muitas vezes em troca de alguns kwanzas. Esquecem-se de que nem tudo depende do pão. A dignidade não se compra. Ela deve ser protegida pelo Estado através de uma justiça justa e efetiva.

É inacreditável que, em pleno século XXI, um Estado que se diz democrático bloqueie a sociedade civil de exigir punição e prevenção para crimes tão hediondos.

A indignação dos cidadãos é legítima. A repressão estatal é crime contra a cidadania. A primeira-dama, Ana Dias Lourenço, sozinha, não conseguirá travar essa pesada luta, por mais campanhas que a sua fundação realize.

A mensagem transmitida hoje é clara. Em Angola, protestar contra crimes sexuais cometidos contra menores é mais perigoso do que a barbárie que se pretende combater. Bloquear uma marcha pacífica não é apenas um acto de repressão; é, na prática, sinal de conivência.

O Estado, que deveria ser o primeiro a proteger os indefesos, transforma-se em barreira para a justiça e para a indignação social legítima.

Sinceramente, Angola não precisa de discursos vazios ou campanhas simbólicas, como aconteceu no caso Belma. Precisa de justiça verdadeira, investigação séria, punição exemplar e, sobretudo, coragem política.

O que aconteceu hoje em Luanda é uma vergonha. O governo não apenas falhou, mas mostrou que é cúmplice da violência que deveria combater.

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