BNA espera descida das taxas de juro da banca comercial após corte da taxa directora
BNA espera descida das taxas de juro da banca comercial após corte da taxa directora
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O Banco Nacional de Angola (BNA) manifestou hoje a expectativa de que a redução das suas taxas de juro se traduza numa descida dos juros praticados pela banca comercial nas operações com os clientes, afirmou, em Luanda, o governador da instituição, Manuel Tiago Dias.

Segundo o responsável, a orientação do banco central visa reforçar a relação entre a banca e os clientes, com impacto na redução dos juros, das comissões associadas ao crédito e do spread, criando condições para o aumento da bancarização e para uma maior capacidade dos bancos em financiar os sectores produtivos, nomeadamente a indústria, a agricultura e o comércio.

Em Angola, as taxas de juro da banca comercial variam em função do tipo de produto e do perfil de risco do cliente. A taxa média histórica de empréstimos bancários situa-se em cerca de 18,02%, enquanto as taxas efectivas aplicadas podem ser mais baixas em créditos com garantia e mais elevadas no crédito ao consumo.

Manuel Tiago Dias considerou que a redução dos juros constitui também um sinal do novo rumo da actividade económica do país, que tem registado uma trajectória positiva.

O governador falava na sessão de balanço e perspectivas da Política Monetária e Cambial, dirigida a agentes económicos, representantes do sistema financeiro e da academia, na qual destacou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,6% em 2025.

Para 2026, o BNA prevê um crescimento da economia angolana de 3,5%, sustentado, entre outros factores, pelo desempenho do sector não petrolífero, que cresceu 4,3%, com reflexos na redução da taxa de desemprego e na desaceleração da inflação.

De acordo com o governador, a inflação passou de 27,5% para 15,7% em 2025, resultado do aumento da oferta de bens produzidos internamente, com contributo relevante da agricultura e da indústria transformadora.

Tiago Dias destacou igualmente a estabilidade cambial registada no ano passado, período em que as vendas de divisas atingiram cerca de 12 mil milhões de dólares, bem como o controlo da liquidez na economia, considerado essencial para a manutenção de níveis baixos de inflação.

Nesse contexto, referiu que a base monetária cresceu de forma moderada, cerca de 4,4%, enquanto os meios de pagamento em moeda nacional evoluíram em linha com a inflação observada.

O BNA mantém a previsão de uma inflação de 13,5% para 2026 e reafirma o objectivo de médio prazo de alcançar uma inflação de um dígito até 2027.

A sessão realizou-se dois dias após a 127.ª reunião do Comité de Política Monetária, realizada em 13 e 14 deste mês, que decidiu reduzir a taxa básica de juro de 18,5% para 17,5%.

Na mesma reunião, foi também aprovada a redução da taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 19,5% para 18,5% e a manutenção da taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5%.

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