
Trabalhadores da Biocom, Companhia de Bioenergia de Angola, paralisaram, na manhã de segunda-feira, as actividades laborais na área industrial da empresa, no município de Cacuso, província de Malanje, em protesto contra os baixos salários, a falta de progressão na carreira e alegados maus-tratos por parte da chefia.
Segundo relatos dos funcionários, existem trabalhadores com 10 e 15 anos de serviço que nunca foram promovidos, apesar de sucessivas reclamações dirigidas aos coordenadores.
De acordo com os mesmos, muitos continuam a auferir salários base na ordem dos 100 mil a 200 mil kwanzas há mais de uma década, situação que consideram incompatível com o elevado custo de vida no país.
A paralisação terá sido igualmente motivada por um acidente de viação ocorrido recentemente no percurso Biocom–Cacuso, envolvendo um autocarro da empresa e um camião.
O acidente resultou na morte de um trabalhador e deixou pelo menos três feridos graves, um dos quais permanece em coma no Hospital Regional de Malanje. Os trabalhadores questionam a demora na evacuação do ferido para Luanda.
Entre as reivindicações consta ainda a denúncia de alegadas condições inseguras de trabalho e de falta de respeito por parte de alguns coordenadores, incluindo chefias expatriadas.
Os funcionários afirmam que são frequentemente expostos a tarefas de risco, como trabalhos em altura com andaimes danificados ou improvisados, sem subsídios adequados ou equipamentos próprios.
Os trabalhadores denunciam também situações de alegada humilhação pública de colegas por responsáveis da empresa e apontam discrepâncias salariais, afirmando que empresas prestadoras de serviços na Biocom remuneram melhor os seus funcionários do que a própria companhia.
A paralisação, segundo os funcionários, apanhou de surpresa a direcção da Biocom, considerada a maior empresa de bioenergia de Angola.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a Biocom confirmou a ocorrência de uma “paralisação inusitada”, realizada, segundo a empresa, “em circunstâncias não oficiais e sem o conhecimento da Comissão Sindical”. A empresa informou estar a realizar diligências para o apuramento dos factos e para a resolução da situação.
No mesmo comunicado, a Biocom reafirma que “as pessoas são o seu maior activo” e garante estar aberta ao diálogo construtivo, com vista à protecção dos interesses dos trabalhadores e da organização.