UNITA denuncia 90 mortos nos tumultos de Julho e exige investigação imparcial
UNITA denuncia 90 mortos nos tumultos de Julho e exige investigação imparcial
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A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) estimou, esta sexta-feira, que pelo menos 90 pessoas morreram em Angola, na sequência dos tumultos de Julho de 2025, no âmbito da paralisação dos taxistas, considerando tratar-se de “execuções sumárias” que exigem investigação independente e imparcial.

Os dados constam de um relatório denominado “As Mortes e Violações de Direitos Humanos na Revolta de Julho de 2025”, elaborado pelo governo sombra da UNITA, seis meses depois dos protestos.

O “vice-primeiro-ministro” do governo sombra da UNITA, Joaquim Nafoia, que fez a apresentação do relatório, deu conta que 90 pessoas morreram em todo o país, vítimas da “repressão e uso desproporcional” da força de efectivos da defesa e segurança de Angola, no âmbito dos protestos dos dias 28, 29 e 30 de Julho de 2025.

Segundo o político, que falava em conferência de imprensa, a província de Luanda, capital do país, registou 47 mortos, Malanje 20 mortos, Lunda Norte (nove), Huambo (oito), Cuando-Cubango (cinco) e a província da Huíla um morto.

“Os trágicos acontecimentos de finais de Julho de 2025 não ocorreram de forma isolada, nem representam um episódio fortuito de violência. Pelo contrário, inserem-se num padrão reiterado de repressão estatal que, ao longo da última década e meia, tem marcado a relação entre o Estado angolano e a sociedade civil”, afirmou Joaquim Nafoia.

Em causa esteve a paralisação dos serviços de táxis, em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos, que resvalou para um tumulto em várias províncias, caracterizado por actos de pilhagem e violência, com um saldo de 30 mortos, 277 feridos e mais de 1500 detenções, segundo dados da polícia.

O político da UNITA argumentou, no decurso da apresentação do relatório de 51 páginas, que o documento, que narra as acções repressivas e mortes registadas em Julho de 2025, “não é um exercício teórico, e nem de confrontação gratuita, mas uma contribuição séria para um debate político nacional”.

Trata-se, observou, de dar voz às vítimas, documentar factos, “exigir responsabilização e reparação. Afinal, a revolta de Julho, e a repressão que se lhe seguiu, deveriam servir de alerta”, assinalou, referindo que os protestos “expuseram a fragilidade do tecido social angolano e o perigoso afastamento entre o Estado e a sociedade”.

“Sem reformas significativas – reforço da independência judicial, combate à corrupção, protecção da liberdade de expressão e responsabilização das forças de segurança – novas erupções de violência serão apenas uma questão de tempo”, notou.

Segundo o relatório, a revolta popular de Julho de 2025 “se inscreve no histórico de repressão estatal” e cada episódio passado “reforçou a impunidade e abriu caminho para que as forças de segurança continuassem a agir acima da lei, num ciclo de violência que urge interromper”.

“É urgente, pois, que sejam desencadeadas investigações independentes, céleres e imparciais sobre cada um destes episódios, com responsabilização efectiva dos autores materiais e morais. A comunidade internacional deve acompanhar de perto a situação, exigindo do Estado angolano o cumprimento das suas obrigações em matéria de direitos humanos”, pede a UNITA.

Joaquim Nafoia, também deputado à Assembleia Nacional, disse que, no período de vigência da governação do Presidente, João Lourenço (no poder desde 2017), “mais de 360 pessoas morreram vítimas da violência das forças da ordem e segurança”, aludindo tratar-se de “dados devidamente documentados”.

Perante os episódios de Julho passado, a UNITA recomenda investigação independente imparcial, reparação justa e adequada às famílias das vítimas, garantia efectiva da liberdade de manifestação e reunião pacífica, reforço da independência do sistema judicial, revisão das práticas de policiamento e a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

O “primeiro-ministro” do governo sombra da UNITA, Raul Tati, considerou, por sua vez, que o relatório retrata “actos bárbaros de violência gratuita”, atribuindo ao Presidente da República “a responsabilidade primária de cumprir e fazer cumprir a Constituição, a lei e os bons costumes”.

“Senhor Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, o sangue de todos os inocentes derramado pelas forças da ordem ao longo dos oito anos da vossa magistratura clama a Deus e reclama por justiça. A responsabilidade política desses actos bárbaros repousa nas vossas mãos. Em nome das vítimas, o governo sombra da UNITA exige justiça contra a impunidade”, concluiu.

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