Angola “apunhalada pelas costas” por um país amigo – Faustino Henrique
Angola "apunhalada pelas costas" por um país amigo - Faustino Henrique
faustino henrique

Em condições normais e mais ainda por força dos laços bilaterais quando existem e são excelentes, todo e qualquer Estado não apenas deve abster-se de se imiscuir nos assuntos de outro, mas também e liminarmente evitar que o seu território seja utilizado para a realização de actos hostis.

Em pleno século XXI, é inaceitável que um Estado membro de pleno direito da ONU que mantenha relações excelentes com outro Estado aceite albergar em seu solo uma iniciativa de secessão ou independência de parte do território daquele segundo?

No dia 2 de Fevereiro, no famigerado Brussels Press Club, localizado na Rue Froissart 95, 1040, em Bruxelas, Reino da Bélgica, representantes do movimento independentista em Cabinda reuniram-se para testemunhar a soi-disant “proclamação de Independência da República de Cabinda” por via de um vídeo (cuja autenticidade acerca da data e local ficam por se confirmar) que foi passado, alegadamente filmado nas “terras libertadas”, precedido de perguntas e respostas entre a mesa do presídio e os jornalistas presentes.

A mesa, nem sequer apresentada, num acto em que predominou a língua francesa, parece ter sido composta por membros do “Governo provisório”, que proferiram vários impropérios às autoridades angolanas, discursos desconcertantes e até afronta contra um Estado.

Dizia-se que a “Declaração da Independência da República de Cabinda” foi feita, tal como consta do documento, nas “zonas libertadas” aos 2 de Fevereiro de 2026, um acto que ocorreu pouco depois da data de 1 de Fevereiro, ligada ao ano de 1884, quando se celebrou o estatuto de protectorado entre os barões cabindenses e as autoridades portuguesas.

Como é que se pode entender que a Bélgica, um país que tem excelentes relações com Angola, aceita albergar um acto desta dimensão contra um Estado amigo?

Será que as nossas autoridades vão deixar passar isso em branco, preferindo ignorar o acto que ocorreu, à semelhança de outros da mesma dimensão que sucederam no passado e sem sucesso, para não “atrapalhar” e “não publicitar” ou, pelo menos através de canais apropriados, reagir com veemência junto das autoridades belgas?

Ou, o que duvido redondamente, as autoridades belgas vão alegar que não foi do seu conhecimento, a realização da famigerada iniciativa de “proclamação da Independência de Cabinda”, que ocorreu nesse tal Brussels Press Club?

É Angola a ser apunhalada por um país amigo, em cujo território as suas autoridades consintam que um punhado de bandidos divulguem e teleproclamem a “independência” de parte do território nacional. É assim mesmo???

*Jornalista

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